Realiza Pará amplia apoio à sociobioeconomia com R$ 3,4 milhões mobilizados no Pará

Imagem: Dirce Quintino

Com R$ 2,4 milhões destinados a 15 organizações comunitárias e a alavancagem de mais R$ 1 milhão para cinco organizações quilombolas, o InovaSociobio 2.0 amplia o apoio a iniciativas ligadas à sociobioeconomia em diferentes regiões do Pará. Ao todo, 20 organizações integram a iniciativa, que envolve povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares em projetos associados à produção sustentável, geração de renda e valorização dos conhecimentos dos territórios.

O Realiza Pará é uma iniciativa do Governo do Pará, executada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), com foco no apoio ao controle do desmatamento e na promoção da bioeconomia no estado. O projeto integra o Programa Floresta em Pé, fruto da cooperação financeira entre os governos da Alemanha e do Brasil, por meio do KfW Banco de Desenvolvimento, e implementado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) como entidade executora.

“O Realiza Pará mostra como a bioeconomia pode se traduzir em oportunidades concretas para quem vive e produz nos territórios. Ao combinar apoio financeiro, formação e fortalecimento da gestão das iniciativas comunitárias, o projeto contribui para valorizar os produtos e saberes da sociobiodiversidade e ampliar oportunidades de geração de renda associadas à conservação da floresta”, afirma Luis Piva, gerente do Programa Floresta em Pé na Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

Apoio que chega aos territórios

Por meio do Realiza Pará, o InovaSociobio 2.0 destinou R$ 2,4 milhões a 15 organizações das regiões do Rio Caeté, Baixo Amazonas, Araguaia, Marajó, Rio Capim, Guamá, Tocantins, Lago Tucuruí e Xingu. Os projetos recebem até R$ 164 mil e incluem ações de capacitação e assistência técnica, tecnologias para resiliência climática, melhoria da capacidade produtiva e inovação.

A iniciativa também possibilitou a alavancagem de R$ 1 milhão para outros cinco projetos de organizações quilombolas, com apoio da Fundação Moore, por meio do Fundo da Amazônia Oriental (FAO), executado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Cada uma das cinco organizações recebeu R$ 200 mil. 

O InovaSociobio 2.0 é desenvolvido pela Semas, com acompanhamento da implementação pelo Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) e gestão financeira da FAS nas iniciativas apoiadas pelo Realiza Pará. As ações estão inseridas no Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio).

Além do aporte financeiro, as organizações recebem orientação para a execução dos projetos. Em maio de 2026, representantes das organizações selecionadas participaram de oficinas sobre assistência técnica, salvaguardas, documentação financeira e prestação de contas.

Na Cooperativa dos Produtores da Agricultura Familiar de Santarém (COOPAFS), o processo já contribui para ampliar o envolvimento e o reconhecimento das mulheres participantes. Para a diretora-presidente da cooperativa, Lucilene Sousa, um dos principais resultados está justamente na forma como elas passaram a perceber o valor de seus próprios conhecimentos.

“À medida que as atividades começaram, percebemos um envolvimento maior e, principalmente, uma valorização dessas mulheres, dos conhecimentos que elas têm e do papel que exercem na comunidade. Esse processo de se reconhecerem como protagonistas e perceberem que aquilo que sabem e produzem tem valor já é um resultado muito importante”, afirma.

Segundo Lucilene, o apoio também ajuda a criar novas possibilidades a partir de práticas que já fazem parte da realidade das comunidades.

“Essas mulheres já produzem, conhecem o território e carregam saberes que vêm de gerações. O projeto ajuda a fortalecer e organizar esse potencial, trazendo conhecimento, ferramentas e novas possibilidades. Quando a renda vem da valorização da produção local e dos conhecimentos tradicionais, também se fortalece a relação com o território e com a floresta”, completa.

Outras frentes do Realiza Pará

Além do InovaSociobio 2.0, o Realiza Pará desenvolve as Trilhas de Capacitação em Bioeconomia, que envolveram representantes de 20 comunidades, além de servidores públicos. Desenvolvida ao longo de 2025 e 2026, a formação busca preparar multiplicadores e ampliar capacidades técnicas e comunitárias para a aplicação da bioeconomia nos territórios paraenses.

Em Belém, o projeto também apoia o Tekoá – Centro de Gastronomia Social, voltado à formação profissional e à valorização da cultura alimentar amazônica. O espaço oferece cursos, exposições, laboratórios criativos e projetos de impacto social. Em março deste ano foi inaugurada a Cozinha Show, estrutura destinada a atividades formativas e práticas de gastronomia.

Com essas frentes, o Realiza Pará articula apoio financeiro, formação e valorização de produtos e conhecimentos da sociobiodiversidade para ampliar oportunidades econômicas alinhadas à conservação da floresta.

Sobre o Programa Floresta em Pé

O Programa Floresta em Pé é resultado da cooperação financeira entre os governos da Alemanha e do Brasil, por meio do KfW Banco de Desenvolvimento. Com atuação no Amazonas e no Pará, a iniciativa apoia ações de bioeconomia, governança ambiental e controle do desmatamento. A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) atua como agência executora e gestora dos recursos, além de prestar assistência técnica para o cumprimento das metas estabelecidas pelo programa.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

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