Na abertura do Fiinsa, Valcléia Lima destaca importância de estruturar projetos com as comunidades amazônicas

Representante da FAS defendeu escuta, investimentos contínuos e adaptação às mudanças climáticas; mesa reuniu também Manuel Cunha e Pi Suruí

Por Fundação Amazônia Sustentável

04.11.2026
Foto: Thamires Bandeira

Foto: Thamires Bandeira

A escuta das comunidades e o investimento de longo prazo são fundamentais para transformar projetos socioambientais em melhorias na vida das populações amazônicas. Essa foi a mensagem de Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), na sessão de abertura do Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA), em Manaus (AM), que segue até o dia 5 de novembro. Com expectativa de reunir mais de mil pessoas e 200 painelistas, o festival contou, na mesa de abertura, com a liderança comunitária do Médio Juruá Manuel Cunha e a jovem liderança indígena Pi Suruí.

Valcléia destacou que as iniciativas precisam partir das necessidades identificadas pelos próprios moradores. Segundo ela, esse processo exige paciência, recursos financeiros, planejamento logístico e respeito aos diferentes ritmos de cada população. “Escutar, mas escutar de uma forma onde você possa entender o que aquele território, o que as comunidades, o que as pessoas de fato têm como necessidade”, afirmou.

Com 31 anos de experiência em projetos socioambientais na Amazônia, a superintendente-geral adjunta ressaltou que as demandas locais vão além do fortalecimento de uma atividade econômica ou da construção de infraestrutura. Para ela, definir prioridades em conjunto é indispensável para orientar os investimentos e garantir resultados duradouros.

Investimentos para gerar valor nos territórios

Como exemplo, Valcléia citou o investimento da FAS na cadeia produtiva do pirarucu, iniciado em 2010. O trabalho avançou para ações de rastreabilidade, que permitem acompanhar a origem e o percurso do produto, além de pesquisa e desenvolvimento, demonstrando a importância da continuidade dos projetos.

Ela também apontou que as dificuldades de acesso à energia limitam o armazenamento, o beneficiamento e a comercialização dos produtos amazônicos. Superar essas barreiras é necessário para ampliar a renda de quem contribui para a conservação da floresta.

Outro ponto foi a preparação das comunidades, da infraestrutura e das atividades produtivas para os impactos das mudanças climáticas. “O futuro da Amazônia não é para amanhã, é para hoje”, declarou.

Comunidades como protagonistas

Na mesma mesa, Manuel Cunha defendeu um modelo de desenvolvimento que coloque o bem-estar das populações no centro das decisões. Gestor da Reserva Extrativista Médio Juruá, ele esclareceu que participava como liderança comunitária, e não como representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“O centro não é a economia, o centro é as pessoas. Para que economia sem as pessoas?”, questionou. Manuel ressaltou que já existem experiências comunitárias que combinam conservação e qualidade de vida, mas a ampliação de seu alcance depende de políticas públicas e investimentos contínuos. Também apontou o encontro como oportunidade para construir parcerias.

Pi Suruí trouxe a experiência do povo Paiter Suruí e a importância do conhecimento ancestral para criar soluções. Em sua fala, citou o planejamento territorial de longo prazo, as iniciativas de carbono florestal e o monitoramento da biodiversidade como ferramentas complementares de proteção.

“Inovar não significa abandonar nossas raízes para acompanhar o futuro, significa levar nossas raízes para dentro do futuro”, afirmou. A jovem liderança defendeu o reconhecimento dos povos indígenas como protagonistas das soluções para a Amazônia.

A agenda da FAS

A programação inclui a participação do superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, na Plenária Banzeiro, na mesa “Bodó na Sala”, nesta quarta-feira (4), às 18h. Com moderação de Paulo Reis, a conversa contará também com Mayra Castro (InvestAmazonia) e Noanny Maia (Cacauaré).

Na quinta-feira (5), às 16h, no Centro Comunitário, Will Mourão, gerente de empreendedorismo da FAS, lidera o painel “Turismo que Transforma Territórios”.

Sobre a FAS 

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

 

 

 

Notícia da Fundação Amazônia Sustentável