Comunidades da RDS do Juma fortalecem participação social e conhecimento sobre direitos

Por Fundação Amazônia Sustentável

08.10.2026

Saber a quem recorrer para solicitar melhorias, como participar da construção de políticas públicas e de que forma acompanhar decisões que afetam diretamente a comunidade ainda é um desafio em muitos territórios da Amazônia. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma, em Novo Aripuanã (AM), jovens e adultos participaram de uma formação voltada a aproximar esses conhecimentos da realidade de quem vive no território e fortalecer a participação comunitária na defesa de direitos coletivos.

Realizada entre os dias 22 e 25 de setembro, a Oficina de Introdução à Incidência Política reuniu 27 participantes de 13 a 77 anos de idade de oito comunidades ribeirinhas da RDS do Juma. A atividade, que contou com 44% de participação feminina, aconteceu no Núcleo de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (Nieds) Samuel Benchimol, na comunidade Boa Frente.

A formação integra o projeto Formando Líderes para uma Amazônia Viva, desenvolvido pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema-AM), com recursos financeiros da Mitsubishi Corporation Foundation for the Americas (MCFA).

Ao longo dos quatro dias, os participantes discutiram temas como autodeterminação e direitos socioambientais de povos e comunidades tradicionais, participação social, acesso à informação e à justiça social, consultas públicas, Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), salvaguardas socioambientais e incidência política. Os conceitos foram relacionados a situações vivenciadas pelos próprios moradores, tanto no contexto da RDS do Juma quanto no ambiente escolar.

A programação combinou debates, leitura e discussão de textos e atividades em grupo. Entre os exercícios práticos, os participantes simularam uma Assembleia Geral, elaboraram uma minuta de Protocolo Autônomo de Consulta e construíram uma estratégia de advocacy, aproximando os conteúdos trabalhados das formas de organização e participação existentes no território.

Para Samuel Mendes, de 14 anos, morador da comunidade Boa Frente, a oficina ajudou a entender melhor como buscar melhorias e encaminhar demandas da comunidade. “A incidência política vai me ajudar a saber para quem eu posso pedir as coisas para melhorar a minha comunidade ou como fazer uma carta para solicitar essas coisas. Eu vejo que os cursos ajudam a preparar as pessoas para conseguir fazer coisas no futuro”, conta.

Segundo Juliane Menezes, coordenadora do projeto, as formações foram estruturadas para envolver diferentes gerações e fortalecer a capacidade de compreensão e participação das comunidades nas decisões relacionadas ao território principalmente no contexto de conservação ambiental. “O projeto foi iniciado em 2025 e é voltado para desenvolver e fortalecer jovens e lideranças das comunidades da RDS do Juma. A gente desenvolveu uma metodologia que envolve uma série de formações voltadas para o desenvolvimento sustentável e socioeconômico da região”, explica.

Desde o início do projeto, as ações têm envolvido crianças, adolescentes, jovens, adultos e integrantes da Associação dos Moradores Agroextrativistas da RDS do Juma (Amarjuma), com atividades de educação ambiental, educomunicação, monitoramento socioambiental, produção de mudas, práticas ecológicas e fortalecimento de lideranças. Ao todo, sete iniciativas já alcançaram cerca de 160 pessoas de 26 comunidades da reserva.

Para Lidígia Pereira da Silva, de 59 anos, moradora da comunidade Nova Olinda, conhecer os próprios direitos é um passo fundamental para que as comunidades estejam mais preparadas para defender seus territórios. “A gente está aprendendo sobre os nossos direitos, o direito de nós termos o nosso território e defendermos ele. Eu acho muito importante esse aprendizado, porque nós estamos conhecendo aquilo que não conhecíamos antes”, conta.

Ao aproximar conceitos como participação social, direitos e incidência política da realidade das comunidades, a formação busca transformar informação em capacidade de ação. A expectativa é que os participantes utilizem esses conhecimentos para fortalecer a organização local, ampliar o diálogo com o poder público e ocupar com mais segurança os espaços onde são tomadas decisões que impactam seus territórios.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

Sobre a MCFA

Fundada em 1991, a missão da Fundação Mitsubishi Corporation para as Américas (MCFA) é contribuir para a construção de uma sociedade inclusiva, empoderando a próxima geração e conservando o meio ambiente, por meio do enfrentamento de questões ambientais e sociais nas Américas. Desde sua criação, a MCFA já apoiou mais de 100 projetos em 15 países nas Américas.

Notícia da Fundação Amazônia Sustentável