Unidade de beneficiamento, salgadeira e complexo frigorífico, adquiridos com recursos do Fundo Amazônia/BNDES via Fundação Amazonas Sustentável (FAS), foram entregues a associações de pescadores.
A pesca do pirarucu é uma das atividades mais comuns e tradicionais na região amazônica, que dão sustento e geram renda a populações ribeirinhas. Depois de anos sob escassez e sob ameaça de extinção, a espécie vem sendo recuperada com uso de métodos de pesca de manejo até se tornar uma das mais rentáveis e sustentáveis cadeias produtivas do Amazonas. Parte desses investimentos feitos foram entregues nesta terça-feira (3) a associações de pescadores na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá, na sede do município de Fonte Boa, a 678 quilômetros. Uma unidade básica de beneficiamento de pirarucu, uma salgadeira e um complexo frigorífico de pescado, que receberam juntos R$ 600 mil de recursos via Fundo Amazônia/BNDES para serem construídos, agora poderão alavancar a produção do peixe e beneficiar mais de 500 famílias. Os empreendimentos só foram possíveis por meio de ações do Edital Floresta em Pé e do Programa Floresta em Pé, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em cooperação estratégica do Governo do Amazonas, via as secretarias de Estado de Meio Ambiente (Sema) e de Produção Rural (Sepror), e com apoio das associações de pescadores. Uma dessas associações é a Associação de Pescadores e Pescadoras de Fonte Boa (ASPPFB), contemplada com a unidade básica de beneficiamento, que sozinha possui a capacidade de produzir 60 toneladas/mês de pirarucu beneficiado, isto é, congelado ou cortado, embalado e rotulado. “Isso é uma conquista para nós, os pescadores, e para a nossa cidade. Além de trazer o benefício do sustento, traz expectativa de vida para nós e para a natureza, porque faz parte da cadeia produtiva do manejo”, disse Aberlan Dias de Matos, presidente da entidade. Além dessa unidade de beneficiamento, um barco geleiro já havia sido entregue à ASPPFB no ano passado como investimento à cadeia produtiva do manejo do pirarucu. “O manejo sustentável veio para organizar a pesca. Eu lembro lá atrás, quando eu era jovem, quando ia pescar com o meu pai, que para pescar um pirarucu era a coisa mais difícil. A gente tirava de qualquer jeito. Se no lago tivesse 100 peixes, a gente matava os 100, sem qualquer método. Meu pai dizia ‘daqui a 20 anos não vai ter mais peixe’ e hoje graças ao manejo você tem uma cota para tirar. Além de ajudar no sustento das pessoas, ajuda a preservar a espécie”, disse.Salgadeira e complexo
Os outros dois empreendimentos, a salgadeira, onde acontece os processos de salga, secagem natural, defumação e aproveitamento de subprodutos como pele e carcaça, e o complexo frigorífico, formado por túnel de congelamento para cinco toneladas e câmara frigorífica para armazenar 40 toneladas, foram entregues via Associação de Moradores e Usuários da RDS Mamirauá/Antonio Martins (Amurmam). A salgadeira recebeu investimentos de R$ 150 mil do Fundo Amazônia/BNDES por meio do Edital Floresta em Pé e o complexo frigorífico R$ 300 mil também do Fundo Amazônia/BNDES, mas via Programa Floresta em Pé. “O petróleo de Fonte Boa é o peixe. São 880 lagos. De Manaus a Tabatinga é o município que tem mais lagos e eu falo isso porque eu conheço. Todos esses empreendimentos de hoje vão fazer a diferença na vida do pescador porque o manejo é o emprego das comunidades. É o manejo tira o caboclo da porta do poder público. Uma obra dessa é de grande importância porque melhora a qualidade de vida das pessoas e preserva o meio ambiente”, afirmou o presidente da Amurmam, José Pereira de Souza, o “Seu Pereira”.Investimentos
Nos últimos dez anos, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) investiu R$ 6,2 milhões em ações de geração de renda ao manejo do pirarucu na RDS Mamirauá e R$ 2,1 milhões em melhoria de infraestrutura, beneficiando cerca de 2 mil famílias em 178 comunidades. “São barcos de pesca, postos de vigilância, unidades de beneficiamento, tudo entregue e feito em parceria com diversas instituições, como o Governo do Estado, a Prefeitura de Fonte Boa, as associações. As entregas de hoje beneficiam não só os pescadores lá da ponta, nos lagos, mas também que está aqui na cidade porque gera emprego e renda aqui. É uma conquista de todos”, ressaltou Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS.
Os empreendimentos só foram possíveis por meio de ações do Edital Floresta em Pé e do Programa Floresta em Pé, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em cooperação estratégica do Governo do Amazonas. Foto: Diego Peres/ Secom