Povos indígenas estão no centro das soluções para a Amazônia e o clima

Abril, marcado pelo Mês dos Povos Indígenas, evidencia as pautas de luta dos povos originários pela garantia de direitos e reforça um ponto cada vez mais central no debate climático: não há como falar em futuro para a…

Por Fundação Amazônia Sustentável

19.04.2026

Abril, marcado pelo Mês dos Povos Indígenas, evidencia as pautas de luta dos povos originários pela garantia de direitos e reforça um ponto cada vez mais central no debate climático: não há como falar em futuro para a Amazônia sem reconhecer o papel dessas populações na conservação da floresta. A proteção de seus territórios tem impacto direto na contenção do desmatamento e na manutenção de ecossistemas fundamentais para o equilíbrio climático.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PENUMA), terras geridas por povos indígenas com direitos assegurados apresentam taxas de desmatamento até 2 a 3 vezes menores do que áreas fora desses territórios, além de maior biodiversidade e maior armazenamento de carbono. O dado reforça que demarcar, proteger e garantir direitos aos povos indígenas não é apenas uma medida de justiça, é também uma estratégia concreta de enfrentamento às mudanças climáticas.

Na Amazônia, esse protagonismo se expressa em iniciativas que articulam cultura, autonomia, formação e incidência política. É nesse contexto que a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) desenvolve ações voltadas ao fortalecimento de lideranças indígenas, ao apoio a mulheres empreendedoras, à valorização de práticas tradicionais e à ampliação da presença indígena em espaços estratégicos.

Entre essas iniciativas está o projeto Parentas que Fazem, que mapeou 118 organizações lideradas por mulheres indígenas na Amazônia brasileira. A iniciativa contou com o apoio do Google.org e a parceria da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da Rede de Mulheres Indígenas do Amazonas (Makira-E’ta), com o objetivo de impulsionar a economia indígena na região. Para isso, identificou atividades como artesanato, agricultura, extrativismo e valorização da medicina tradicional, aliando apoio técnico e financeiro ao desenvolvimento sustentável dessas ações.

No campo do esporte, projetos como a Arquearia Indígena e a Canoagem Indígena mostram como práticas tradicionais também podem se transformar em ferramentas de inclusão, autoestima e geração de oportunidades. No caso da arquearia, a iniciativa já contribuiu para a conquista de mais de 50 medalhas por atletas indígenas e revelou trajetórias como a de Graziela Yaci, do povo Karapãna, primeira arqueira indígena da seleção brasileira de tiro com arco.

“Com o apoio do projeto, conquistei medalhas e cheguei à seleção brasileira de tiro com arco, tornando-me a primeira arqueira indígena do país na equipe. Essa iniciativa me abriu caminhos que mudaram minha vida: graças à arquearia, concluí a faculdade de Ciências Contábeis e aprendi muito além do esporte”, afirma Graziela Yaci.

Já o projeto de Canoagem Indígena, iniciado em 2014, promoveu ao longo dos anos a inclusão social, o fortalecimento cultural e a formação esportiva de jovens indígenas da Amazônia, abrindo caminho para que atletas chegassem a competições de alto nível. Agora, um novo ciclo da iniciativa está em andamento, viabilizado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, com a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCA) e o apoio da FAS, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). 

Este novo momento prevê a criação de três núcleos de canoagem: um na comunidade do Tumbira, outro na comunidade Três Unidos e um terceiro em São Gabriel da Cachoeira, com a expectativa de atender e formar cerca de 120 jovens de comunidades ribeirinhas e indígenas. 

A atuação também passa pelo fortalecimento da participação indígena em espaços de mobilização e incidência. Em 2025, a FAS apoiou a presença de lideranças indígenas em agendas estratégicas em Brasília, incluindo mobilizações em defesa de direitos e territórios. No mesmo ano, por meio do projeto Banzeiro da Esperança, a Fundação levou 63 lideranças indígenas para a COP30, ampliando a presença dos povos da Amazônia em um dos principais espaços globais de debate sobre o clima.

Para Rosa dos Anjos, indígena do povo Mura e supervisora do Programa de Protagonismo Indígena da FAS, reconhecer o papel dos povos indígenas exige mais do que visibilidade pontual. 

“Falar do mês alusivo aos povos indígenas é reafirmar algo que vivemos todos os dias, somos nós que protegemos a floresta com nossos conhecimentos, nossa cultura e nossa resistência. Não basta visibilidade em datas específicas, é preciso garantir nossos direitos, nossos territórios e, principalmente, nossa participação nas decisões que impactam o nosso futuro. Quando fortalecemos o protagonismo indígena, seja na cultura, no esporte, na geração de renda ou na incidência política, estamos também fortalecendo a Amazônia. Não há solução para a crise climática sem nós povos indígenas. Nosso protagonismo não é apenas reconhecimento, é caminho para um futuro sustentável para todos”, conclui. 

 

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

 

Foto: Kamila Cavalcante

Notícia da Fundação Amazônia Sustentável