Foto: Natanael Maricaua
Como acompanhar o caminho do pirarucu depois que ele deixa os lagos e garantir que os benefícios dessa cadeia cheguem às comunidades manejadoras? Essas questões orientaram o Seminário Rastreabilidade do Pirarucu, realizado em 15 de outubro, no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus.
Idealizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o encontro reuniu manejadores, pesquisadores, empresários e representantes da sociedade civil para discutir resultados, aprendizados e desafios de uma experiência de rastreabilidade digital desenvolvida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.
A iniciativa envolve 56 manejadores e 45 famílias de três comunidades do setor Macopani, na região do Médio Solimões. Executado pela FAS, o projeto foi viabilizado por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), coordenado pelo IDESAM, com investimento da Positivo Tecnologia.
Segundo Will Mourão, gerente de Empreendedorismo da FAS, o seminário cientifico foi pensado como um espaço de disseminação dos conhecimentos, lições aprendidas e avaliação dos resultados do projeto.
“O objetivo é consolidar as principais lições aprendidas, os resultados alcançados e os avanços obtidos ao longo da jornada de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação PD&I no âmbito da Bioeconomia”, explicou.
O projeto “Sistema de Rastreabilidade: Inovação e Inteligência de Mercado na Cadeia Produtiva do Pirarucu da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá” é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e conta com o apoio da Positivo Tecnologia, por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).
Conhecimento ancestral e ferramentas digitais
A proposta parte de conhecimentos e práticas que já integram a rotina das comunidades. Os manejadores registravam informações em anotações e planilhas, mas enfrentavam dificuldades para organizar e conectar esses dados entre as diferentes etapas da cadeia.
Ao explicar o desenvolvimento da solução, Matheus Vinícius destacou que a inovação digital se soma a uma tecnologia já existente no território.
“O manejo é uma tecnologia social. Muitas vezes, quando nós falamos em tecnologia, a gente tende a pensar em software, mas a tecnologia já existia”, afirmou.
O sistema combina um aplicativo de rastreabilidade com blockchain, tecnologia utilizada para encadear registros e permitir a verificação das informações. A solução considera as condições de conectividade da região, incluindo a possibilidade de operação offline.
O fluxo conecta a identificação do pescado na origem aos registros de movimentação, beneficiamento e destinação comercial. A proposta contempla tanto a carne quanto a pele do pirarucu e inclui ferramentas de apoio à gestão de estoque, produção e planejamento de vendas.
Os dados operacionais apresentados no seminário contabilizam 510 peixes registrados individualmente, correspondentes a 23.044 quilos de pescado.
O caminho do produto e o retorno ao território
Para Edson Carlos, supervisor de projetos da FAS, ter acesso às informações sobre o destino dos produtos é uma preocupação recorrente nas comunidades.
“Muitas vezes, os nossos produtos vão embora e a gente não sabe de nada”, relatou.
Além de acompanhar a comercialização, Edson defende ampliar as possibilidades de processamento e produção no próprio Amazonas. Uma das alternativas discutidas é a participação de grupos de mulheres na confecção de peças com o couro do pirarucu, após a etapa de curtimento.
“A gente discute muito isso porque entende que vai valorizar e gerar renda para essas pessoas, para as famílias, para as comunidades”, destacou.
O aproveitamento da pele também esteve presente nas apresentações do seminário, com a coleção “Gigantio: Tempo-Memória em Nós”, desenvolvida por Sapopema e Sioduhi Studio. A experiência aproxima a cadeia do pirarucu do design e da moda autoral amazônica.
Segundo Edson, o Gigantio também abre uma perspectiva de retorno de recursos para apoiar projetos comunitários. Em seu relato, essa possibilidade demonstra a importância de construir relações comerciais que mantenham benefícios no território.
“Unir todas essas forças para que a gente possa produzir o nosso produto é fortalecer a comunidade, é manter a floresta em pé e as comunidades produzindo e vivendo bem”, afirmou.
Resultados e continuidade
A avaliação apresentada no encontro reúne registros operacionais e percepções dos participantes. Entre os respondentes da pesquisa, 91,7% relataram aumento da renda proveniente do pirarucu, 70,3% informaram acesso a novos compradores ou mercados e 94,6% manifestaram confiança na continuidade do uso da solução.
Os resultados apontam percepções positivas sobre a experiência, mas não permitem atribuir essas mudanças exclusivamente à rastreabilidade digital. Organização comunitária, infraestrutura, logística e relações comerciais também fazem parte das condições que influenciam o desempenho da cadeia.
Para Karol Barbosa, líder do Programa Prioritário de Bioeconomia do IDESAM, o protagonismo comunitário é uma condição para que a inovação produza mudanças no território.
“Não vai existir bioeconomia se a floresta não estiver em pé, mas também não vai existir bioeconomia se as comunidades, se o homem da floresta não estiver como ator principal”, destacou.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.
Sobre o PPBio
O Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) foi criado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) em 2019 e é coordenado pelo Idesam. Seu principal objetivo é direcionar recursos provenientes dos investimentos obrigatórios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), previstos pela Lei de Informática, ao fomento de novos produtos, serviços e negócios voltados à bioeconomia na Amazônia. O programa também busca conectar o potencial regional a soluções inovadoras e sustentáveis.
Sobre a Positivo Tecnologia
A Positivo Tecnologia é uma empresa brasileira de tecnologia que desenvolve, fabrica e comercializa computadores, celulares, tablets, dispositivos para casas e escritórios inteligentes, servidores e demais soluções para infraestrutura de TI, além de máquinas de pagamento e tecnologias educacionais. Também oferece serviços gerenciados de TI. O conjunto de produtos e serviços é voltado para consumidores finais, empresas, condomínios residenciais, escolas e instituições públicas. A Companhia foi fundada em 1989, possui sede administrativa em Curitiba (PR), fábricas em Ilhéus (BA) e Manaus (AM), além de presença em 17 países da América Latina, principalmente Argentina, México, Colômbia, assim como Ásia, na China e Taiwan. O portfólio de marcas e negócios é composto por Positivo, Positivo Casa Inteligente, Positivo Servers & Solutions, Positivo SEG, Positivo S+, Positivo Soluções em Pagamentos, VAIO, Infinix e Educacional – Ecossistema de Tecnologia e Inovação. Informações adicionais podem ser obtidas em www.positivotecnologia.com.br. Para saber as últimas notícias sobre a Positivo Tecnologia, visite Sala de Imprensa, assim como os perfis da Companhia no LinkedIn, Facebook e Instagram.
Texto: Rebeca Vilhena