Telessaúde garante atendimento médico e psicológico em comunidades remotas na Amazônia

Mulher sentada recebendo atendimento via telessaúde na comunidade Boa Esperança no interior do Amazonas.
Mulher sentada recebendo atendimento via telessaúde na comunidade Boa Esperança no interior do Amazonas.

“Antes, tínhamos que nos deslocar até a cidade de Manacapuru (município do Amazonas) para agendar uma consulta para nossa família. Para chegar até lá são três horas e meia de viagem, para fazer um simples agendamento. Com o sistema de telessaúde, tudo se tornou muito melhor, facilitou muito esse processo, pois não precisamos mais nos deslocar toda essa distância”.

Este é o relato de Marizangela Damasceno Sales, 31 anos, moradora da comunidade Betel, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Piranha, na zona rural de Manacapuru. Ela é uma das centenas de usuárias beneficiadas pelo projeto de telessaúde, executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com a Embaixada da França, que leva teleatendimentos em saúde para comunidades ribeirinhas do estado.

Até junho deste ano, foram 255 teleatendimentos médicos, psicológicos e de enfermagem, além de 242 teleorientações realizadas por meio de pontos de conectividade instalados nas comunidades Betel, na RDS do Piranha, e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Terra Preta, ambas na RDS do Rio Negro.

Além dos teleatendimentos para os comunitários, o projeto também promove a qualificação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) que atuam na região. Ao todo, foram 61 webpalestras voltadas para esses profissionais.

“O sistema de telessaúde veio para a melhoria da população, principalmente com os atendimentos em enfermagem, já que a comunidade não tem posto de saúde. Como profissional, eu também aprendi mais. Desde que recebi o apoio da FAS, conheci enfermeiros e psicólogos incríveis. O telessaúde é de suma importância para a comunidade, estou muito agradecida”, conta a Agente Comunitária de Saúde, Erotildes de Couto Braga, que atua na comunidade Betel.

Segundo Mickela Souza Costa, gerente do Programa Saúde na Floresta da FAS, o projeto democratiza o acesso aos serviços de saúde na Amazônia.

“Essa iniciativa faz com que o ribeirinho não precise mais se deslocar até à cidade para conseguir um atendimento médico de baixa complexidade, democratizando o acesso ao serviço de saúde às populações tradicionais da Amazônia. Há pessoas que moram em comunidades remotas, de difícil acesso e muito distantes da sede municipal, o telessaúde proporciona comodidade e resolutividade para a garantia de um direito a todos, que é o acesso à saúde, sendo um ganho social e econômico para os ribeirinhos”, explica a gerente.

Tecnologia a favor da saúde

Os atendimentos via telessaúde ocorrem em pontos de conectividade instalados pela FAS e Embaixada da França dentro das comunidades. Cada ponto possui geração de energia fotovoltaica própria e internet via satélite de alta velocidade em localidades remotas. O projeto de telessaúde promove ampliação do acesso à saúde, transmissão de dados médicos e consultas virtuais para as populações tradicionais da Amazônia, além de educação permanente para os profissionais de saúde.

Atualmente, o projeto oferta teleatendimentos em psicologia e enfermagem. Para isso, conta com o apoio dos Agentes Comunitários de Saúde, que fazem busca ativa dentro das comunidades. As demandas dos moradores são passadas à equipe de telessaúde, que realiza o acolhimento e a triagem do paciente. O usuário é encaminhado para o teleatendimento com um profissional de saúde.

 

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade. Com 16 anos de atuação, a instituição tem números de destaque, como o aumento de 202% na renda média de milhares famílias beneficiadas e a queda de 39% no desmatamento em áreas atendidas.

 

Créditos de imagem: Rodolfo Pongelupe

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