Tumbira é o nome de um povo indígena que morava na região há centenas de anos, mas também de bicho de pé. Saracá significa formiga brava – as que sobem na roupa de quem ainda senta embaixo das árvores na pequena comunidade. Santa Helena do Inglês juntou nome de time de futebol com a história de um casal de ingleses que, reza a lenda, há cem anos morava no lugar.
As comunidades, palcos de histórias diferentes em tempos distintos, são entrelaçadas por um passatempo infantil predileto em comum: pular e nadar nas águas escuras do rio Negro nos tempos de cheia. É o rio que percorre as quatro comunidades, o rio que atravessa vidas e as conecta outras.
É também onde a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) cresceu e tomou forma para hoje ser quem é: Amazônia – mais de um rio: muitos.
Os quatro são moradores de unidades de conservação (UCs) – áreas protegidas que alinham conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico em uma das florestas mais importantes do mundo na luta contra a crise climática.
A saúde não espera. No tratamento de doenças e na resposta técnica e qualificada no tempo exato, a tecnologia é aliada para driblar distâncias e trazer mais perto atendimento a quem precisa. Por isso, 66 pontos de telessaúde já foram instalados em 22 municípios, 22 Unidades de Conservação (UCs) e 16 Terras Indígenas (TIs) na Amazônia.
Os pontos de conectividade são equipados com estrutura de atendimento e acesso à internet para consultas online e têm à disposição as especialidades de medicina, enfermagem e psicologia. Desde o começo da iniciativa, mais de 2.300 pessoas foram atendidas através do sistema de telessaúde.
A FAS também atua na implementação de sistemas de energias limpas e renováveis, como as de origem solar, que garantem o funcionamento de unidades de atendimento em áreas ribeirinhas e rurais da região.
“A falta de energia é um problema muito grande para nós como profissionais. Quando a gente tem uma criança, por exemplo, com pneumonia, é uma doença que a gente pode tratar aqui mesmo no polo, só que, devido à falta de energia, não tem como fazer a nebulização, então a gente tem que remover a criança para o município mais próximo”, explica a enfermeira do Polo Base do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Médio Rio Solimões e Afluentes (MRSA), Claudia Mariscal. Em 2020, placas solares foram instaladas no polo, que atende cerca de 105 famílias do povo Madija Kulina.
As transformações e a atual realidade dessas quatro pessoas dão uma mostra de que a criação dessas áreas é capaz de trazer prosperidade e qualidade de vida para as pessoas que nela moram.
Na Semana da Amazônia, vamos mostrar a Amazônia pelos olhos delas – com passado, presente e futuro. É a vida de gente que nasceu, cresceu e vive para manter a Amazônia de pé com e para todas as pessoas – o propósito da instituição. São as pessoas que mostram que a Amazônia é floresta, mas também é gente.
E a gente é Amazônia.