40º Encontro de Lideranças · FAS 18 anos

História, memória e futuro

O (re)encontro de quem constrói a FAS nos territórios.

A Amazônia em primeira pessoa

Viagens que começam antes da partida

Foram 12, 18 e até 37 horas de viagem. De barco, lancha, bote, estrada e, em alguns casos, combinando diferentes meios de transporte. Cerca de 60 lideranças deixaram comunidades de diferentes municípios do Amazonas para participar de um encontro que começava muito antes da chegada à sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em Manaus.

Cada deslocamento carregava histórias, desafios e experiências construídas em territórios distintos. Depois de sete anos sem uma edição presencial, período em que os encontros precisaram ser adaptados ao formato online, estar novamente no mesmo espaço representou muito mais do que retomar uma agenda interrompida pela pandemia. Era a oportunidade de ouvir e reconhecer o caminho percorrido em conjunto.

Realizado no ano em que a FAS completa 18 anos, o 40º Encontro de Lideranças uniu três dimensões que atravessaram toda a programação: história, memória e futuro.

Poema de abertura · Encontro de Lideranças

O ponto de partida

O encontro como espaço de escuta

Antes de qualquer projeto chegar a uma comunidade, existe um passo que orienta toda a caminhada: ouvir. No Encontro de Lideranças, essa escuta guia todo o roteiro. É nesse espaço que lideranças de comunidades, aldeias e quilombos compartilham experiências, apontam desafios, avaliam caminhos e ajudam a construir as prioridades para os territórios.

Para Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS, esse processo reforça uma forma de atuação baseada no diálogo respeitoso com as comunidades.

É um processo de construção participativa das prioridades da estratégia de implementação e de avaliação das atividades da FAS, de maneira que fique consolidado, para a equipe e para os beneficiários dos nossos programas, que a nossa estratégia é construtivista. Nós trabalhamos a partir de uma escuta qualificada e de um diálogo respeitoso, para que possamos desenvolver projetos e programas capazes de gerar os resultados que esperamos.

Virgilio Viana · superintendente-geral da FAS

Depois de anos em que a agenda precisou ser adaptada ao formato online, reunir novamente representantes de diferentes territórios reforça a importância da presença, da troca direta e da continuidade das parcerias.

“É com grande satisfação que vemos a retomada desses encontros, depois de passarmos pela pandemia e de retomarmos a nossa parceria com o Fundo Amazônia. Que esta seja uma jornada longa e cheia de sucessos.” — Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS

O encontro em números

Lideranças participantes
0
Participação feminina
0 %
Participação jovem
0 %
Edições desde 2010
0

Uma trajetória que começa em 2010

Um espaço de fortalecimento comunitário

Para Socorro Lira, o Encontro de Lideranças é um momento especial para o trabalho desenvolvido pela FAS junto às comunidades e populações que vivem nas unidades de conservação e nos territórios atendidos pela instituição, incluindo povos indígenas e quilombolas.

“O Encontro de Lideranças é um momento de reunir as comunidades para discutir, traçar novos objetivos e pensar, em conjunto, naquilo que é melhor para os territórios. É um espaço muito importante para o trabalho que desenvolvemos junto com essas lideranças, com as comunidades e com todas as pessoas que vivem nas unidades de conservação, nos territórios indígenas e quilombolas.” — Socorro Lira, FAS

Segundo Socorro, os encontros tiveram início em 2010, com a participação de 11 lideranças. Desde então, a iniciativa chegou à sua 40ª edição e se consolidou como um espaço de fortalecimento comunitário.

“De lá para cá, muita coisa aconteceu e saiu desses encontros, contribuindo de forma essencial para o desenvolvimento das comunidades e dos territórios.” — Socorro Lira, FAS

Entre os principais impactos, ela destaca o fortalecimento das lideranças, o empoderamento comunitário, a melhoria da qualidade de vida das famílias e a ampliação das ações executadas pela FAS.

“O grande propósito é o trabalho em parceria. As lideranças trazem suas necessidades e, por meio dos projetos e dos recursos que conseguimos captar, buscamos levar ações, resultados e melhorias para os territórios.” — Socorro Lira, FAS

A última edição presencial havia ocorrido em 2019. Com a pandemia, a FAS precisou adaptar a metodologia e manter os encontros de forma virtual, garantindo a continuidade do diálogo com as comunidades.

“O último Encontro de Lideranças presencial aconteceu em 2019. Depois veio a pandemia, e nós precisávamos criar uma nova estratégia, porque o encontro precisava continuar acontecendo. Não houve parada das atividades. A FAS continuou trabalhando nessa mesma parceria com as comunidades.” — Socorro Lira, FAS

Nesse período, a conectividade teve papel importante para manter a articulação com os territórios. Segundo Socorro, os avanços nessa área ajudaram a viabilizar os encontros online e a preservar o vínculo com as lideranças até a retomada presencial.

A memória

De um quartinho a um movimento

Começamos com sete pessoas, em um quartinho, na primeira casa da FAS. De lá para cá, contínuo no movimento. Já lutei muito e sigo lutando para ver as coisas melhorarem para os ribeirinhos.

Edvar Bezerra · RDS Cujubim

A lembrança é de Edvar Bezerra, liderança da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Cujubim. Desde 2008, ele atua no movimento social e acompanha parte da trajetória construída entre a FAS e as comunidades.

Ao longo desse caminho, Edvar participou de diferentes espaços de diálogo e incidência, sempre com o compromisso de defender melhorias para as populações ribeirinhas.

“Nunca assinei nada para piorar a vida do ribeirinho, só para melhorar. Até hoje estou no movimento por isso.” — Edvar Bezerra

Para ele, os encontros trouxeram aprendizados importantes sobre liderança, organização comunitária e participação social.

“Quando comecei, eu nem sabia o que era ser liderança. Hoje já entendo esse papel. Aprendi muita coisa nesses encontros e levo esse conhecimento para ajudar na organização da associação e da comunidade.” — Edvar Bezerra

A fala de Edvar ajuda a reconstruir parte de uma trajetória iniciada há 18 anos pela FAS. Desde então, a instituição cresceu, ampliou sua atuação e passou a apoiar comunidades em diferentes regiões do Amazonas. Mas olhar para o passado não significava apenas enumerar projetos ou resultados. Era também reconhecer as pessoas que participaram dessa construção e compreender como a atuação institucional foi sendo transformada pelo aprendizado com os territórios.

Um espelho entre gerações

A juventude que aprendeu nos encontros

Se Edvar representa a memória de uma trajetória construída ao longo de anos de movimento social, Everton Soares da Silva, conhecido como Jaraqui, mostra como os encontros também ajudaram a formar novas lideranças.

Liderança da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no município de Beruri, Everton tem 24 anos e conta que sua história com os Encontros de Lideranças começou ainda na infância.

“Eu tive a oportunidade de participar pela primeira vez quando tinha 12 anos. Desde então, venho buscando conhecimento e tentando trazer melhorias para a minha comunidade. Sempre digo que sou o que sou hoje, um jovem líder, porque a FAS me deu a oportunidade de participar desses encontros e adquirir conhecimento.” — Everton “Jaraqui”, 24 anos, RDS Piagaçu-Purus

Para Everton, os encontros foram fundamentais em sua formação como liderança jovem. Ao longo dos anos, ele passou a compreender melhor seu papel na comunidade e a importância de compartilhar os aprendizados com outros jovens do território.

“O conhecimento é essencial para que a gente possa repassar para mais jovens na nossa localidade e mostrar o que podemos alcançar. A gente pode ser a pessoa que sonhar, mas precisa buscar conhecimento e levar isso para a comunidade.” — Everton “Jaraqui”

Ao relembrar sua trajetória, Everton destaca que o Encontro de Lideranças teve impacto direto em sua vida pessoal e comunitária.

O Encontro de Lideranças, para mim, foi praticamente uma segunda escola. Se eu não tivesse tido essa oportunidade lá no início, talvez hoje eu não estivesse aqui como jovem líder. Talvez eu tivesse seguido outro caminho, sem saber o que poderia buscar para melhorar a minha comunidade.

Everton “Jaraqui”

A participação da juventude nos espaços de decisão é uma das principais defesas de Everton. Segundo ele, há jovens com potencial para assumir responsabilidades, contribuir com as comunidades e participar mais ativamente dos processos de organização territorial, mas ainda falta oportunidade.

“Uma coisa que eu sempre bato na tecla é a oportunidade. Tem que haver mais oportunidade para os jovens, porque existem várias localidades com jovens que têm potencial para assumir cargos, participar de atividades e contribuir com suas comunidades, mas muitas vezes falta oportunidade.” — Everton “Jaraqui”

A presença de Edvar e Everton no mesmo encontro revela uma das forças da construção comunitária: a troca entre gerações. De um lado, a memória de quem ajudou a abrir caminhos. De outro, a energia de quem aprendeu com esses espaços e agora busca levar outras juventudes para dentro deles.

O próprio Edvar alerta para essa necessidade dentro da sua comunidade.

“Quando eu voltar, quero reunir os jovens. A juventude precisa participar, porque são eles que vão ficar à frente disso tudo no futuro. Também é importante incluir mais as mulheres nesse movimento.” — Edvar Bezerra

Novas presenças

Mulheres, juventudes e novas presenças

Ao longo dos anos, a participação feminina cresceu nos Encontros de Lideranças. Segundo Socorro Lira, no primeiro encontro havia apenas homens entre os participantes. Com o tempo, a FAS passou a incentivar a presença das mulheres nas lideranças comunitárias, nas associações e nos espaços de decisão.

“No primeiro Encontro de Lideranças, em 2010, eram apenas homens participando. Depois, começamos a fortalecer a presença feminina nos encontros, nas lideranças das comunidades e nas associações. Esse foi um processo de incentivo e empoderamento.” — Socorro Lira, FAS

Nesta edição, uma grande porcentagem dos participantes são mulheres. Além disso, o encontro amplia a presença de povos indígenas e quilombolas, reforçando a diversidade de experiências que compõem os territórios de atuação da FAS.

“Hoje, cerca de 40% das pessoas participantes deste encontro são mulheres. Isso traz para nós um orgulho muito grande, porque mostra mulheres com atitude, mulheres que também querem melhorias para suas comunidades e seus territórios.” — Socorro Lira, FAS

Saberes que se encontram

Usar conhecimentos antigos para construir novos caminhos

Para a vice-presidente do Conselho de Administração da FAS, Izolena Garrido, a diversidade reunida no encontro é uma das principais forças para a continuidade da proteção dos territórios.

Em sua fala, ela destacou a importância de utilizar as tecnologias ancestrais para praticar a sustentabilidade e aproximar diferentes gerações.

“Os jovens, junto com os mais velhos, precisam fortalecer essa luta, traçar novos passos e construir novas tecnologias.” — Izolena Garrido, vice-presidente do Conselho de Administração da FAS

A continuidade dos conhecimentos tradicionais depende da escuta entre gerações. Os mais velhos carregam memórias, práticas e aprendizados acumulados durante décadas. Os jovens chegam com novas ferramentas, linguagens e maneiras de comunicar as necessidades de suas comunidades.

Quando esses conhecimentos se encontram, novas possibilidades surgem dentro dos territórios.

Compartilhar visões de mundo

Compartilhar é também uma forma de adaptação

As mudanças climáticas não afetam todos os territórios da mesma maneira. Algumas comunidades enfrentam secas mais prolongadas. Outras convivem com cheias severas, incêndios florestais, dificuldades no acesso à água e mudanças nos períodos de plantio, pesca e colheita.

Para Emilson Munduruku, coordenador-geral da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Manaus, reunir lideranças de diferentes lugares permite compartilhar formas de enfrentar essas transformações.

“Esse momento é importante para compartilhar visões de mundo, técnicas de enfrentamento e adaptação. É uma oportunidade de compreender a visão do outro e melhorar a nossa qualidade de vida nos territórios.” — Emilson Munduruku, coordenador-geral da Funai em Manaus

Compartilhar uma experiência não significa repetir a mesma solução em outro lugar. Cada comunidade possui suas próprias características, conhecimentos e formas de organização. Mas ouvir como outros povos enfrentam problemas semelhantes pode ajudar a encontrar novos caminhos.

Do diálogo à transformação

Da escuta às ações concretas

Para Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, o Encontro de Lideranças cria um espaço essencial de escuta direta e construção conjunta com quem conhece profundamente a realidade dos territórios.

O Encontro de Lideranças é fundamental porque cria um espaço de escuta direta e construção conjunta com quem conhece profundamente a realidade dos territórios. É a partir desse diálogo que conseguimos compreender as prioridades das comunidades, fortalecer o protagonismo das lideranças e transformar demandas em ações e projetos capazes de gerar resultados concretos para as famílias.

Valcléia Lima · superintendente-geral adjunta da FAS

Uma mensagem para o futuro

Ao olhar para a trajetória construída até aqui, o Encontro de Lideranças também aponta para o que ainda precisa ser feito. O momento reforça a responsabilidade coletiva de seguir construindo caminhos para uma Amazônia viva, próspera e protagonizada por quem vive nos territórios.

Para Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS, essa construção passa pela força da parceria entre a instituição e as lideranças comunitárias.

Nós temos uma responsabilidade enorme e, ao mesmo tempo, um potencial enorme de fazer com que essa parceria entre a FAS e as lideranças das comunidades, aldeias e quilombos tenha uma contribuição relevante para o futuro da Amazônia. Uma Amazônia próspera, com a floresta viva e com as pessoas protagonizando a jornada da sua própria história no meio da floresta.

Virgilio Viana · superintendente-geral da FAS

A mensagem sintetiza um dos principais sentidos do encontro: reconhecer que o futuro da Amazônia não será construído de fora para dentro, mas a partir da escuta, da confiança e da atuação conjunta com as lideranças que conhecem e cuidam dos seus territórios todos os dias.

Quando o encontro termina, o caminho continua

Para Ivone Castro, da comunidade Terra Santa, na RDS Rio Negro, o encontro fortaleceu a troca entre diferentes gerações e revelou o potencial das juventudes nos territórios.

“Para mim, esse encontro foi maravilhoso. Eu pude absorver muitas coisas. Foi formado um eixo de conversa junto com as lideranças e as juventudes, e pude ver um potencial muito grande neles.” — Ivone Castro, comunidade Terra Santa, RDS Rio Negro

A percepção também foi compartilhada por Damiana Pereira, liderança da RDS do Juma, no município de Novo Aripuanã. Para ela, o encontro mostrou que, mesmo vivendo realidades diferentes, as associações compartilham desafios semelhantes e objetivos comuns.

“O que eu levo de conhecimento é saber que as associações têm o mesmo intuito: conseguir melhorias para o seu povo e para a sua comunidade. Cada uma vive uma realidade diferente, mas, muitas vezes, os problemas são os mesmos.” — Damiana Pereira, RDS do Juma, Novo Aripuanã

Segundo Damiana, o principal aprendizado que retorna ao território é a importância de não desistir diante dos desafios.

“O que levo para a minha comunidade, a partir do que aprendi e do que meus colegas apresentaram nesses cinco dias de encontro, é que, quando queremos alguma coisa, não devemos baixar a cabeça. Devemos erguer a cabeça e lutar pelo que queremos.” — Damiana Pereira

Para Elidonilda Oliveira, conhecida como Sinhá, da comunidade Samaumeira, na RDS Uacari, em Carauari, o encontro expressa a força da união entre diferentes lideranças e territórios.

“Lideranças chegam de caminhos diferentes, trazendo histórias, saberes e visões. Unem forças, ideias e talentos em um só propósito, em uma só ação.

Liderar é ouvir e somar vozes. É guiar sem perder a humanidade. É caminho, é verdade.

Neste encontro, os sonhos se alargam e o plano ganha forma. De geração em geração, cada mente brilha, cada passo marca o futuro que nasce da união.

Não há vitória sozinho. O crescimento é coletivo e forte. Líderes que se encontram dão voz à certeza de um mundo com mais sorte.

Que cada palavra aqui semeada vire fruto, processo e bem-querer. Liderança é luz, é estrada, é fazer o melhor acontecer.”

Elidonilda “Sinhá” · comunidade Samaumeira, RDS Uacari, Carauari

Realização

Prospera na Floresta

O Projeto Prospera na Floresta é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Tem como objetivo contribuir para a consolidação de áreas protegidas no estado do Amazonas por meio do incentivo a atividades produtivas sustentáveis no âmbito da sociobioeconomia. O projeto abrange 22 áreas protegidas, sob gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Com execução prevista de quatro anos, a iniciativa atuará em uma área de mais de 20 milhões de hectares e deverá beneficiar 11.344 pessoas diretamente entre populações indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

Áreas protegidas
0
Hectares
0 mi+
Pessoas beneficiadas
0
Anos de execução
0

Régua de logos do Prospera na Floresta (substituir pela arte oficial).