FAS RESPONDE

Em um cenário de circulação acelerada de informações, é cada vez mais comum a disseminação de conteúdos imprecisos, distorcidos ou fora de contexto sobre a atuação da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Essas inverdades não apenas desinformam, mas também prejudicam o debate qualificado e a formação de opinião objetiva sobre a Amazônia e seus desafios.

A página FAS Responde tem como objetivo apresentar, de forma clara, transparente e baseada em evidências, os posicionamentos institucionais da FAS. Reunimos aqui informações verificadas, esclarecimentos técnicos e respostas diretas, reafirmando nosso compromisso com a transparência, a verdade e a construção de soluções sustentáveis para a Amazônia.

Atualizado em 15 de abril de 2026.

BR-319

A FAS é contra a BR-319?

A FAS não é contrária à BR-319 e nem integra redes de oposição à rodovia. A instituição defende uma BR-319 sustentável, que contribua para o desenvolvimento da região sem ampliar o desmatamento e a ilegalidade. Para isso, é essencial que a recuperação da estrada seja precedida pela implementação efetiva de postos de vigilância e monitoramento ambiental em pontos estratégicos, medida já prevista nos estudos de impacto ambiental, mas ainda não plenamente executada pelo poder público.

A FAS integra o Observatório da BR-319, iniciativa que fortalece a governança na região por meio da produção e disseminação de informações confiáveis. Ao mesmo tempo, a FAS defende que o debate sobre infraestrutura no Amazonas considere alternativas mais sustentáveis, como a implantação de ferrovias, que podem reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência logística no longo prazo.

Saiba mais no artigo de Virgilio Viana para a CNN Brasil publicado em 2023.

A FAS não integra, e nunca integrou, o Observatório do Clima.

A FAS é uma organização técnica e apartidária. Sua atuação é baseada em evidências, dados e na construção de soluções para a Amazônia, em parceria com governos, setor privado, organizações não-governamentais, comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

Qual é a maior fonte de financiamento dos recursos da FAS?

Desde 2008, as principais fontes de financiamento da FAS são: 53% de recursos nacionais e 47% internacionais e 81% de recursos privados e 19% públicos. Saiba mais no nosso painel de transparência e sustentabilidade: aqui.

Qual é a maior fonte de financiamento dos recursos da FAS?

O destino dos recursos captados pela FAS é, na sua grande maioria, para atividades finalísticas totalizando 78%. Já a média histórica de custos da área-meio (administrativa) da FAS é de 22%. Esse percentual está alinhado às boas práticas do terceiro setor, garantindo eficiência e escala de impacto. Isso significa que, a cada R$ 100 captados, cerca de R$ 78 são destinados diretamente à implementação de programas e projetos de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, com impactos significativos na qualidade de vida de milhares de amazônidas. Saiba mais no nosso painel de transparência e sustentabilidade: aqui.

Fundos internacionais para projetos de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável são realmente uma ameaça à soberania nacional na Amazônia?

Não há qualquer evidência de ameaça à soberania nacional decorrente da cooperação internacional. O Brasil mantém total autonomia na definição de parcerias, e todos os acordos passam por processos legais e institucionais rigorosos. A soberania se fortalece quando o país utiliza esses recursos para proteger a floresta, implementar políticas públicas e beneficiar sua população. Reforçamos ainda que os projetos desenvolvidos pela FAS têm origem nas necessidades do nosso público-alvo e seguinte este fluxo:

Outro formato de atuação da FAS é a agência executora, em que a FAS responde pela operação financeira e técnica de projetos de governos estaduais e/ou federais, com financiamento externo, como é o caso do Programa Floresta em Pé, que apoio os Governos do Pará e do Amazonas, do Programa REM-MT, com atuação junto ao Governo do Mato Grosso, e do Projeto Sociobioeconomia na Amazônia, com atuação junto ao Ministério do Meio Ambiente.

Qual é a origem dos profissionais que trabalham na FAS?

A FAS é composta majoritariamente por pessoas da própria Amazônia. Em 2025, 87% dos seus colaboradores eram naturais de estados da Amazônia e 70% do Amazonas, onde está localizada sua sede. Mais de 65% dos gestores da FAS são da Amazônia, inclusive dois dos três superintendentes. Essa composição reflete o compromisso da instituição com o protagonismo local, valorizando os saberes tradicionais e as vivências nas comunidades amazônicas.

No que se refere à contribuição social de organizações como a FAS, vale considerar os dados do relatório “A importância do terceiro setor para o PIB no Brasil”, que indicam que 5,88% dos empregos gerados no Brasil estão no terceiro setor e 3,93% do valor de produção do Brasil é gerado no terceiro setor. Neste sentido, em 2025, a FAS empregou, diretamente, 168 pessoas.

Como ocorreu a seleção da FAS para o Programa Floresta em Pé?

Em 2021, o banco KfW lançou uma seleção do então denominado Programa Fundo Floresta, que desde o início da sua implementação passou a ser chamado de Programa Floresta em Pé. O documento de referência publicado pelo KfW estabelecia a contratação de uma organização do terceiro setor (e não de uma instituição pública) para atuar como agência implementadora do programa junto a dois estados da Amazônia, a serem definidos. Paralelamente, esses estados também participaram de um processo seletivo próprio, com a apresentação de propostas para acesso a recursos não reembolsáveis destinados ao apoio a políticas públicas de combate ao desmatamento, fomento à bioeconomia e fortalecimento da governança ambiental.

Foram, então, conduzidos dois processos seletivos sequenciais: o primeiro, voltado à escolha de uma organização do terceiro setor responsável pela gestão financeira dos projetos, etapa na qual a FAS apresentou sua proposta; e o segundo, destinado à seleção de dois estados da Amazônia, a partir de propostas submetidas pelos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMAs), resultando na escolha do Amazonas e do Pará.

O processo seletivo do qual a FAS participou foi conduzido e coordenado pelo próprio KfW ao longo de 18 meses, por meio de ciclos rigorosos de avaliação. Foram realizadas duas fases de análise técnica e financeira, seguidas de uma diligência detalhada sobre a estrutura de governança, as práticas administrativas e o sistema de gestão de riscos ambientais e sociais da instituição. Ao final desse processo criterioso, a FAS, organização de origem amazonense, foi selecionada pelo KfW para gerir os recursos destinados aos estados do Amazonas e do Pará.

A FAS comprou um avião estimado em 10 milhões de reais para uso no Programa Floresta em Pé?

Esclarecemos, de forma direta: a FAS não comprou uma aeronave. O que estava previsto no projeto era a contratação de horas de voo — prática comum em operações ambientais e de proteção civil — a partir de demanda de órgãos do Governo do Amazonas para dar maior agilidade às ações de fiscalização em áreas remotas.

O processo, no entanto, não foi concluído por incompatibilidade entre os valores estimados e o orçamento disponível. Uma nova contratação está em avaliação pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas, com recursos oriundos de doação do Governo da Alemanha, destinados ao fortalecimento das ações de comando e controle.

Trata-se de logística a serviço do interesse público, essencial em regiões onde o acesso terrestre ou fluvial é limitado. As aeronaves, quando contratadas, seriam utilizadas exclusivamente por servidores e agentes públicos em ações de fiscalização ambiental.
Não houve contratação nem gasto. Também não se tratava de “avião da FAS”, mas de fretamento de horas de voo para uso do Estado. O papel da FAS é de cooperação técnica, não envolvendo qualquer utilização para transporte de dirigentes ou terceiros.

Qual é o destino dos recursos do Fundo Amazônia, quem faz a gestão e como funciona a prestação de contas?

As organizações com projetos financiados pelo Fundo Amazônia recebem os valores em vários desembolsos. A FAS nunca recebeu o valor total do projeto em um único aporte. Os recursos de cada projeto e cada desembolso são alocados em planos de trabalho e cronogramas físico-financeiros detalhados, com regras claras de execução.

Todas as instituições apoiadas tem a obrigação contratual de apresentar relatórios de atividades, indicadores e prestações de contas detalhadas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal responsável pela gestão e regulação do Fundo Amazônia no Brasil. A realização de novos desembolsos sempre é condicionada à prestação de contas do desembolso anterior. E essas prestações de contas, por sua vez, são criteriosamente avaliadas e geram constantes consultas e solicitações de informações complementares.

Até dezembro de 2024, o Fundo Amazônia havia contratado 119 projetos, totalizando R$ 2,99 bilhão. Desse montante, R$ 1,76 bilhão já haviam sido desembolsados, sendo 48% destinados a organizações do terceiro setor, 51% para instituições públicas e 1% para organizações internacionais. Mais informações aqui.

A FAS presta contas dos recursos provenientes do Fundo Amazônia?

A FAS já executou dois projetos com financiamento do Fundo Amazônia, com auditoria, monitoramento e avaliação pelo BNDES, e está iniciando a execução de outros dois:

Bolsa Floresta: de R$ 19 milhões, executado entre 2009 e 2015, com zero recurso aplicado em recursos humanos (RH) da FAS. Leia o Relatório do BNDES de Efetividade do Projeto Bolsa Floresta (link), que foi administrado pela FAS no estado do Amazonas.

Bolsa Floresta+: de R$ 31 milhões, executado entre 2016 e 2021, com 23% de recursos destinados ao RH da FAS.

Sobre a equipe técnica envolvida nos projetos: a equipe técnica envolvida na execução dos projetos foi composta por 30 profissionais, com qualificação e diversidade de formações alinhadas aos desafios e necessidades dos projetos. Desse total, 17 possuem formação de nível superior, 10 formação técnica e 3 ensino médio, evidenciando uma base sólida de conhecimento e capacidade operacional. Entre as formações de nível superior, destacam-se 5 profissionais em Engenharia Florestal, 3 em Gestão Ambiental, 2 em Biologia, além de formações em Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção, Ciências Sociais, Pedagogia e Educação Social. No nível técnico, houve predominância de áreas diretamente ligadas ao território, como 5 técnicos agrícolas, 2 técnicos florestais e formações em recursos pesqueiros, produção agrícola e pesqueira, gestão ambiental e biotecnologia.

Em execução para os próximos anos.

Prospera na Floresta: R$ 60 milhões, cuja execução se dará entre 2025 e 2029.

Pirão no Prato: R$ 47 milhões, cuja execução se dará entre 2025 e 2029.

A FAS é responsável pelo Zoneamento Ecológico-econômico (ZEE) no Estado do Amazonas?

O ZEE é uma atribuição do poder público, no caso sob responsabilidade do Governo do Estado do Amazonas, com diretrizes estabelecidas pela União, conforme o Decreto Nº 4.297/2002.

A FAS, como organização da sociedade civil, não possui competência legal para elaborar ou instituir o ZEE. Se demandada, em caráter técnico ou de apoio às políticas públicas, a FAS ou quaisquer organizações congêneres podem atuar e contribuir, sem atribuição decisória sobre o instrumento.

O Amazonas já possui estudos e iniciativas relacionadas ao zoneamento, que representam avanços, mas ainda demandam atualização e maior efetividade. A FAS se posiciona favorável ao aprimoramento do ZEE e se coloca à disposição para colaborar tecnicamente com o poder público. Para informação sobre ZEE consulte aqui.

Como a FAS utilizou os recursos do Governo do Amazonas para o Programa Bolsa Floresta?

A FAS utilizou integralmente os R$ 20 milhões no pagamento das famílias beneficiárias em 2008. Como resultado das aplicações financeiras ao longo dos anos, os recursos totalizaram R$ 28 milhões, valor que foi finalizado em abril de 2015. Mais informações aqui.

A FAS é parceira da elaboração do Plano de Bioeconomia do Governo do Amazonas?

Sim, a FAS foi parceira na elaboração do Plano de Bioeconomia do Governo do Amazonas, entretanto, assim como várias outras organizações que apoiam o plano, a FAS captou um recurso junto ao Instituto Clima e Sociedade (ICs) para apoiar a elaboração, mas a demanda partiu do Governo do Amazonas. Saiba mais aqui.