Em um cenário de circulação acelerada de informações, é cada vez mais comum a disseminação de conteúdos imprecisos, distorcidos ou fora de contexto sobre a atuação da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Essas inverdades não apenas desinformam, mas também prejudicam o debate qualificado e a formação de opinião objetiva sobre a Amazônia e seus desafios.
A página FAS Responde tem como objetivo apresentar, de forma clara, transparente e baseada em evidências, os posicionamentos institucionais da FAS. Reunimos aqui informações verificadas, esclarecimentos técnicos e respostas diretas, reafirmando nosso compromisso com a transparência, a verdade e a construção de soluções sustentáveis para a Amazônia.
Atualizado em 27 de julho de 2026
A FAS não é contrária à BR-319 e nem integra redes de oposição à rodovia que tenham liderado medidas judiciais contra essa infraestrutura. A instituição defende uma BR-319 sustentável, que contribua para o desenvolvimento da região sem ampliar o desmatamento e a ilegalidade. Para isso, é essencial que a recuperação da estrada seja precedida pela implementação efetiva de postos de vigilância e monitoramento ambiental em pontos estratégicos, medida já prevista nos estudos de impacto ambiental, mas ainda não plenamente executada pelo poder público.
A FAS integra o Observatório da BR-319, iniciativa que fortalece a governança na região por meio da produção e disseminação de informações confiáveis. Ao mesmo tempo, a FAS defende que o debate sobre infraestrutura no Amazonas considere alternativas mais sustentáveis, como a implantação de ferrovias, que podem reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência logística no longo prazo.
Saiba mais no artigo de Virgilio Viana para a CNN Brasil publicado em 2023.
A FAS é uma organização técnica e apartidária. Sua atuação é baseada em evidências, dados e na construção de soluções para a Amazônia, em parceria com governos, setor privado, organizações não-governamentais, comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.
Desde 2008, as principais fontes de financiamento da FAS são: 53% de recursos nacionais e 47% internacionais, e 81% de recursos privados e 19% públicos. Saiba mais no nosso painel de transparência e sustentabilidade: aqui.
O destino dos recursos captados pela FAS é, na sua grande maioria, para atividades finalísticas, totalizando 78%. Já a média histórica de custos da área-meio (administrativa) da FAS é de 22%. Esse percentual está alinhado às boas práticas do terceiro setor, garantindo eficiência e escala de impacto. Isso significa que, a cada R$ 100 captados, cerca de R$ 78 são destinados diretamente à implementação de programas e projetos de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, com impactos significativos na qualidade de vida de milhares de amazônidas. Saiba mais no nosso painel de transparência e sustentabilidade: aqui.
Não há qualquer evidência de ameaça à soberania nacional decorrente da cooperação internacional. O Brasil mantém total autonomia na definição de parcerias, e todos os acordos passam por processos legais e institucionais rigorosos. A soberania se fortalece quando o país utiliza esses recursos para proteger a floresta, implementar políticas públicas e beneficiar sua população. Reforçamos ainda que os projetos desenvolvidos pela FAS têm origem nas necessidades do nosso público-alvo.
Outro formato de atuação da FAS é a agência executora, em que a FAS responde pela operação financeira e técnica de projetos de governos estaduais e/ou federais, com financiamento externo, como é o caso do Programa Floresta em Pé, que apoia os Governos do Pará e do Amazonas, do Programa REM-MT, com atuação junto ao Governo do Mato Grosso, e do Projeto Sociobioeconomia na Amazônia, com atuação junto ao Ministério do Meio Ambiente.
A FAS é composta majoritariamente por pessoas da própria Amazônia. Em 2025, 87% dos seus colaboradores eram naturais de estados da Amazônia e 70% do Amazonas, onde está localizada sua sede. Mais de 65% dos gestores da FAS são da Amazônia, inclusive dois dos três superintendentes. Essa composição reflete o compromisso da instituição com o protagonismo local, valorizando os saberes tradicionais e as vivências nas comunidades amazônicas.
No que se refere à contribuição social de organizações como a FAS, vale considerar os dados do relatório “A importância do terceiro setor para o PIB no Brasil”, que indicam que 5,88% dos empregos gerados no Brasil estão no terceiro setor e 3,93% do valor de produção do Brasil é gerado no terceiro setor. Neste sentido, em 2025, a FAS empregou, diretamente, 168 pessoas.
As organizações com projetos financiados pelo Fundo Amazônia recebem os valores em vários desembolsos. A FAS nunca recebeu o valor total do projeto em um único aporte. Os recursos de cada projeto e cada desembolso são alocados em planos de trabalho e cronogramas físico-financeiros detalhados, com regras claras de execução.
Todas as instituições apoiadas têm a obrigação contratual de apresentar relatórios de atividades, indicadores e prestações de contas detalhadas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal responsável pela gestão e regulação do Fundo Amazônia no Brasil. A realização de novos desembolsos sempre é condicionada à prestação de contas do desembolso anterior. E essas prestações de contas, por sua vez, são criteriosamente avaliadas e geram constantes consultas e solicitações de informações complementares.
Até dezembro de 2024, o Fundo Amazônia havia contratado 119 projetos, totalizando R$ 2,99 bilhões. Desse montante, R$ 1,76 bilhão já haviam sido desembolsados, sendo 48% destinados a organizações do terceiro setor, 51% para instituições públicas e 1% para organizações internacionais. Mais informações aqui.
A FAS já executou dois projetos com financiamento do Fundo Amazônia, com auditoria, monitoramento e avaliação pelo BNDES, e está iniciando a execução de outros dois:
Sobre a equipe técnica envolvida nos projetos: a equipe técnica envolvida na execução dos projetos foi composta por 30 profissionais, com qualificação e diversidade de formações alinhadas aos desafios e necessidades dos projetos. Desse total, 17 possuem formação de nível superior, 10 formação técnica e 3 ensino médio, evidenciando uma base sólida de conhecimento e capacidade operacional. Entre as formações de nível superior, destacam-se 5 profissionais em Engenharia Florestal, 3 em Gestão Ambiental, 2 em Biologia, além de formações em Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção, Ciências Sociais, Pedagogia e Educação Social. No nível técnico, houve predominância de áreas diretamente ligadas ao território, como 5 técnicos agrícolas, 2 técnicos florestais e formações em recursos pesqueiros, produção agrícola e pesqueira, gestão ambiental e biotecnologia.
Em execução para os próximos anos:
Em 2021, o banco KfW lançou uma seleção do então denominado Programa Fundo Floresta, que desde o início da sua implementação passou a ser chamado de Programa Floresta em Pé. O documento de referência publicado pelo KfW estabelecia a contratação de uma organização do terceiro setor (e não de uma instituição pública) para atuar como agência implementadora do programa junto a dois estados da Amazônia, a serem definidos. Paralelamente, esses estados também participaram de um processo seletivo próprio, com a apresentação de propostas para acesso a recursos não reembolsáveis destinados ao apoio a políticas públicas de combate ao desmatamento, fomento à bioeconomia e fortalecimento da governança ambiental.
Foram, então, conduzidos dois processos seletivos sequenciais: o primeiro, voltado à escolha de uma organização do terceiro setor responsável pela gestão financeira dos projetos, etapa na qual a FAS apresentou sua proposta; e o segundo, destinado à seleção de dois estados da Amazônia, a partir de propostas submetidas pelos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMAs), resultando na escolha do Amazonas e do Pará.
O processo seletivo do qual a FAS participou foi conduzido e coordenado pelo próprio KfW ao longo de 18 meses, por meio de ciclos rigorosos de avaliação. Foram realizadas duas fases de análise técnica e financeira, seguidas de uma diligência detalhada sobre a estrutura de governança, as práticas administrativas e o sistema de gestão de riscos ambientais e sociais da instituição. Ao final desse processo criterioso, a FAS, organização de origem amazonense, foi selecionada pelo KfW para gerir os recursos destinados aos estados do Amazonas e do Pará.
Não. A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) não comprou uma aeronave.
No âmbito do Programa Floresta em Pé, a FAS realizou a locação de horas de voo para apoiar ações de fiscalização ambiental executadas por órgãos do Governo do Estado do Amazonas em áreas remotas. Esse tipo de serviço é amplamente utilizado para ampliar a agilidade e a capacidade operacional em regiões onde o acesso terrestre ou fluvial é limitado.
A contratação foi realizada no contexto da implementação do Programa Floresta em Pé, fruto da cooperação financeira entre os governos da Alemanha e do Brasil, por meio do KfW Banco de Desenvolvimento. Os recursos são destinados ao fortalecimento das ações de comando e controle ambiental previstas no Plano de Trabalho do programa.
As horas de voo destinam-se exclusivamente ao transporte de servidores e agentes públicos envolvidos nas ações de fiscalização ambiental, não sendo utilizadas para atividades institucionais da FAS, transporte de dirigentes, colaboradores ou terceiros.
O ZEE é uma atribuição do poder público, no caso sob responsabilidade do Governo do Estado do Amazonas, com diretrizes estabelecidas pela União, conforme o Decreto Nº 4.297/2002.
A FAS, como organização da sociedade civil, não possui competência legal para elaborar ou instituir o ZEE. Se demandada, em caráter técnico ou de apoio às políticas públicas, a FAS ou quaisquer organizações congêneres podem atuar e contribuir, sem atribuição decisória sobre o instrumento.
O Amazonas já possui estudos e iniciativas relacionadas ao zoneamento, que representam avanços, mas ainda demandam atualização e maior efetividade. A FAS se posiciona favorável ao aprimoramento do ZEE e se coloca à disposição para colaborar tecnicamente com o poder público. Para informação sobre ZEE consulte aqui.
A FAS utilizou integralmente os R$ 20 milhões no pagamento das famílias beneficiárias em 2008. Como resultado das aplicações financeiras ao longo dos anos, os recursos totalizaram R$ 28 milhões, valor que foi finalizado em abril de 2015. Mais informações aqui.
Sim, a FAS foi parceira na elaboração do Plano de Bioeconomia do Governo do Amazonas. Entretanto, assim como várias outras organizações que apoiam o plano, a FAS captou um recurso junto ao Instituto Clima e Sociedade (iCS) para apoiar a elaboração, mas a demanda partiu do Governo do Amazonas. Saiba mais aqui.
A CPI das ONGs foi instalada pelo Senado, em 2023, para apurar a atuação de organizações na Amazônia, especialmente as que recebiam recursos públicos ou internacionais. A FAS prestou esclarecimentos à comissão e passou por esse processo de análise. Ao final, não foi apontada nenhuma irregularidade contra a instituição. A FAS não foi indiciada, bem como nenhuma outra organização não-governamental, e seus dirigentes também não foram responsabilizados. Os pedidos de indiciamento feitos na CPI envolveram outros agentes públicos, sem relação com a FAS.