Debate na FAS reúne diplomata, Inpa e liderança indígena para discutir caminhos para o desmatamento zero na Amazônia

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) realizou, na última sexta-feira (24), a mesa-redonda “Mapa do Caminho para o Desmatamento Zero: Ação Climática em Territórios de Populações Tradicionais e Povos Indígenas do Amazonas”. O debate foi mediado pelo superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, e contou com a participação do diplomata Marco Túlio Scarpelli, do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, e da coordenadora do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), Sinéia do Vale.

Realizado na sede da FAS, em Manaus, o encontro reuniu pesquisadores, estudantes, representantes de organizações da sociedade civil e demais interessados na agenda climática. A programação abordou estratégias para alcançar o desmatamento zero na Amazônia, o financiamento climático, a bioeconomia e os desafios para a consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável diante das mudanças climáticas.

Durante a mediação, Virgilio Viana destacou o papel dos povos indígenas e das populações tradicionais na conservação da floresta, além da importância de ampliar a participação de profissionais da Amazônia na construção e no compartilhamento de soluções para outros países.

“O debate valorizou muito a importância de o Brasil ser um exemplo para outros países de florestas tropicais. Vejo uma grande oportunidade para jovens e profissionais da Amazônia atuarem em outros países, fornecendo assistência técnica e compartilhando experiências que vêm dando certo na Amazônia e podem servir de referência para o mundo inteiro”, explicou Virgilio.

Especialista em negociações internacionais sobre mudanças climáticas, florestas e desenvolvimento sustentável, Marco Túlio Scarpelli abordou os desafios para acelerar a agenda do desmatamento zero, ampliar a cooperação internacional e fortalecer o protagonismo do Brasil nas negociações climáticas.

“O papel das comunidades tradicionais na conservação das florestas é vital. No Brasil, aproximadamente 14% do território nacional, bem mais de um milhão de quilômetros quadrados, corresponde a terras indígenas e territórios de comunidades tradicionais. Esses territórios desempenham um papel fundamental na proteção das florestas e apresentam níveis de conservação superiores aos de muitas áreas de proteção ambiental”, declarou Túlio.

O diretor do Inpa, Henrique Pereira, destacou a importância da ciência para a formulação de políticas públicas e para a construção de soluções sustentáveis adequadas à realidade da região amazônica.

Representando os povos indígenas, Sinéia do Vale, coordenadora do CIMC e enviada da COP30, ressaltou a importância da participação indígena nos espaços de decisão sobre o clima e da valorização dos conhecimentos produzidos nos territórios.

Ao reunir diferentes perspectivas, a mesa-redonda reforçou que o enfrentamento ao desmatamento depende da articulação entre conhecimento científico, políticas públicas, cooperação internacional e soluções construídas com a participação dos povos indígenas e das populações tradicionais.

 

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

 

Foto: Kamila Cavalcante

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