Energia solar chega a uma das regiões mais isoladas do Amazonas e beneficia mais de 200 famílias

“Estamos muito felizes com essa conquista. Antes, havia dificuldades até para planejar aulas ou realizar pesquisas. Hoje, isso mudou completamente”, afirma Latoya Cunha da Costa, professora do Núcleo de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (NIEDS) Profa. Bertha Becker, na comunidade de Campina, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, no município de Carauari, a 788 quilômetros de Manaus (AM), em uma das regiões mais isoladas do Amazonas. O local, que antes funcionava com gerador movido a combustível fóssil e oferecia até seis horas diárias de acesso de energia elétrica, agora dispõe de um sistema de energia solar que beneficiará mais de 200 famílias.

A estrutura é fruto do “Práticas Pedagógicas Inovadoras para a Melhoria do Ensino Fundamental e Médio na Amazônia Profunda”, projeto executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Movimento Bem Maior (MBM) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para fortalecer a formação de professores e desenvolver novos modelos pedagógicos adaptados às realidades amazônicas. O sistema tem 56 placas solares, quatro inversores e um banco de 20 baterias de lítio que vão fornecer energia, além da escola, para os alojamentos, casa do professor e outros espaços.

Juntos, os equipamentos garantem energia ao NIEDS com funcionamento 24 horas por dia, ampliando o acesso à educação, saúde e conectividade na região para estudantes, professores e moradores de comunidades adjacentes, como Sororoca, Samaumeira, São Francisco e Monte Carmelo.

“A parceria do BNDES com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) viabiliza um projeto de cerca de R$ 11,1 milhões voltado à melhoria da educação no Amazonas, incluindo formação de professores, desenvolvimento de materiais pedagógicos e instalação de energia solar em escolas de áreas remotas. Com apoio não reembolsável de cerca de R$ 5,6 milhões, o Banco contribui para a implantação de sistemas de geração solar em cinco núcleos sem acesso adequado à energia no Amazonas, substituindo geradores a diesel e viabilizando melhores condições de funcionamento das escolas. A iniciativa deixa um legado de infraestrutura sustentável e reforça o compromisso do BNDES com o desenvolvimento social e ambiental da região”, declara Ana Costa, Superintendente da Área de Desenvolvimento Social e Gestão Pública do BNDES.

Para Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, levar energia solar a uma região remota da Amazônia representa dignidade. “Significa ampliar oportunidades de educação, conectividade, bem-estar e qualidade de vida para crianças, jovens e famílias que vivem nesses territórios. Quando investimos em soluções sustentáveis para a Amazônia, fortalecemos também a permanência digna das pessoas em seus territórios e reafirmamos nosso compromisso de cuidar das pessoas que cuidam da floresta”, destaca.

Uma das beneficiárias é Rute de Souza Brita, que estuda no NIEDS. Para ela, as mudanças são muito significativas e vão gerar uma série de benefícios. “Falar sobre o sistema de energia solar é muito importante, tanto para nós que moramos distante quanto para os alunos daqui da [comunidade] Campina. Melhorou 100%. Antes, dependíamos do gerador de energia, que fazia muito barulho. Agora temos energia o dia todo, com mais tranquilidade para estudar, usar ventilador e acessar a internet. Eu agradeço à FAS e todos que ajudaram nessa conquista”, declara.

Além dos benefícios sociais, a iniciativa contribui para a redução do uso de combustíveis fósseis e para a adaptação frente às mudanças climáticas. Rafael Sales, coordenador de projetos da FAS, reafirma que os impactos vão além do abastecimento contínuo de energia. “Este é um projeto voltado à melhoria da qualidade do ensino e ao fortalecimento das comunidades. Trata-se de um compromisso da FAS, junto com seus parceiros, em cuidar das pessoas que cuidam da floresta. O núcleo vai se transformar em um polo de conectividade para outras comunidades”, finaliza.

O projeto “Práticas Pedagógicas Inovadoras para a Melhoria do Ensino Fundamental e Médio na Amazônia Profunda” é executado pela FAS, com apoio do Movimento Bem Maior (MBM) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

 

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

 

Sobre o Movimento Bem Maior

O Movimento Bem Maior (MBM) é uma organização social que reúne investidores, organizações sociais e uma rede de parceiros com o objetivo de construir um Brasil com mais equidade e dignidade para todos. Por meio da filantropia estratégica, o MBM mobiliza recursos financeiros e investe em ideias, projetos e iniciativas que multiplicam o impacto positivo e impulsionam o desenvolvimento sustentável do País. Saiba mais: movimentobemmaior.org.br.

 

Sobre o BNDES

Ao longo de seus 74 anos de história, o BNDES tem sido o principal instrumento do Governo para promover investimentos de longo prazo na economia brasileira, além de ser um dos principais financiadores de micro, pequenas e médias empresas do País. O Banco tem importante atuação anticíclica em momentos de crise, como um dos formuladores das soluções para a retomada do crescimento da economia. Atualmente, o BNDES também atua com foco na criação e manutenção de empregos, na melhoria dos serviços públicos do Brasil, como educação, saúde e saneamento, além de apoiar o País na transição justa para uma economia neutra em carbono. O Banco tem como propósito transformar a vida de gerações, promovendo o desenvolvimento sustentável.

Foto: Manoel Cunha

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