A Amazônia vive uma nova etapa de estruturação da sociobioeconomia, impulsionada por editais que combinam financiamento climático internacional, fortalecimento territorial e apoio direto a cadeias produtivas sustentáveis da floresta. 

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), governos estaduais e instituições internacionais como o banco alemão KfW, está conduzindo uma série de chamadas públicas voltadas ao fortalecimento da bioeconomia amazônica, com foco em governança comunitária, inclusão produtiva e geração de renda para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. 

Entre as iniciativas em andamento está o edital de apoio a coletivos da sociobioeconomia na Amazônia Legal, que vai apoiar redes, fóruns, grupos e observatórios ligados às cadeias da sociobiodiversidade. A chamada integra o Programa Nacional de Sociobioeconomia – Prospera e o projeto “Sociobioeconomia na Amazônia”, desenvolvido em cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha, por meio do KfW. 

O edital prevê apoio de até R$ 500 mil por proposta, com duração de até 36 meses, priorizando iniciativas voltadas à governança territorial, formação, articulação institucional, produção de conhecimento e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis na região amazônica. 

Além disso, o Programa REDD Early Movers (REM MT), coordenado pelo Governo de Mato Grosso em parceria com a FAS e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT), lançou dois novos editais que somam R$ 18,6 milhões em investimentos para agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais e territórios indígenas. 

As chamadas fazem parte de um mecanismo internacional de remuneração por resultados na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. O programa busca fortalecer iniciativas ligadas à conservação da floresta, agricultura de baixo carbono, proteção territorial, segurança alimentar, geração de renda e valorização do protagonismo indígena e feminino nos territórios amazônicos. 

Os editais reforçam um movimento crescente de consolidação da chamada “economia da floresta em pé”, em um contexto em que bioeconomia, financiamento climático e desenvolvimento sustentável ganham centralidade no debate internacional. 

Mais do que apoiar projetos isolados, as iniciativas buscam enfrentar gargalos históricos da sociobioeconomia amazônica, como acesso a mercado, assistência técnica, estruturação de redes produtivas e fortalecimento da governança comunitária. 

“Estamos falando da construção de uma infraestrutura econômica da sociobioeconomia amazônica, capaz de combinar conservação ambiental, geração de renda e protagonismo territorial”, afirma Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS. 

As iniciativas contemplam cadeias produtivas como castanha, açaí, óleos vegetais, pesca manejada, agricultura familiar e turismo de base comunitária, além de ações ligadas à gestão territorial indígena e à proteção ambiental. 

Os editais e informações completas estão disponíveis no link. 

Sobre a FAS 

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade. 

 Foto: Dirce Quintino