Mais de 11,3 milhões de hectares conservados, 17,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) evitadas e queda superior a 80% nos focos de calor em Unidades de Conservação (UCs). Esses números refletem o impacto da atuação da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), instituição que há mais de 18 anos desenvolve iniciativas voltadas à conservação ambiental em territórios tradicionais da região Norte, contribuindo para a proteção da biodiversidade, o enfrentamento das mudanças climáticas e a valorização da floresta em pé.
A agenda climática da FAS ganha destaque neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta-feira, 5 de junho, principalmente por beneficiar direta e indiretamente mais de 21,9 mil famílias em 902 comunidades e aldeias, distribuídas por 166 municípios, 27 Unidades de Conservação e 186 territórios indígenas.
Gestão ambiental e combate às queimadas
Um dos eixos de atuação é o fortalecimento da gestão socioambiental e a prevenção de ameaças. Por meio do programa “Floresta em Pé”, fruto da cooperação financeira entre os governos da Alemanha e do Brasil, com apoio do KfW Banco de Desenvolvimento, foram mobilizadas 239 pessoas em ações de gestão ambiental, além da capacitação e atuação de 153 brigadistas para prevenção e combate a queimadas e incêndios florestais.
O programa também possibilitou a distribuição de 280 kits seringueiros em UCs do Amazonas e Pará, contribuindo para a geração de renda sustentável e para a permanência das populações tradicionais em seus territórios. Como resultado, áreas apoiadas pela instituição registraram redução do desmatamento de 20% e 14% nos respectivos estados, entre 2024 e 2025.
Formação e oportunidades sustentáveis
A conservação socioambiental também está associada à formação de pessoas e à criação de oportunidades sustentáveis para as comunidades amazônicas. Nesse contexto, o projeto “Conservação da Amazônia: uma aliança entre natureza e criatividade”, realizado pela FAS em parceria com a LVMH e a Universidade Nilton Lins, graduou dez estudantes ribeirinhos amazonenses em Gestão de Turismo. A iniciativa se tornou finalista do Prêmio Nacional do Turismo 2025, na categoria “Qualificação, Formação e Inserção Produtiva de Pessoas no Turismo”.
Para Adriana de Siqueira, uma das formandas do curso e empreendedora da Pousada da Dri, localizada na Comunidade Santa Helena do Inglês, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, a formação representa uma conquista pessoal e coletiva. “Nunca imaginei que iria me formar em uma universidade. Meu conselho é: nunca desistam dos seus sonhos”, afirma Adriana.
Educação ambiental e inovação
Já as diversas ações voltadas à educação ambiental e inovação também fazem parte dessa estratégia. No projeto do Solar Community Hub, localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Amapá, no município de Manicoré (interior do Amazonas), nove professores foram capacitados em metodologias ativas relacionadas às mudanças climáticas, alcançando cinco comunidades.
Energia limpa e água potável
Outra frente de atuação da FAS é a ampliação do acesso a soluções sustentáveis de energia limpa e água potável em comunidades amazônicas. Na Comunidade Indígena Três Unidos, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, a implantação de uma usina solar passou a garantir fornecimento contínuo de energia limpa, fortalecendo a autonomia local e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
A instalação da usina solar na Comunidade Indígena Três Unidos, na Área de Proteção Ambiental do Rio Negro, sob gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), foi viabilizada com apoio do Ministério Federal da Alemanha para o Meio Ambiente, por meio da Internacional Climate Initiative (IKI) e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), e implementada pela FAS.
A iniciativa garante acesso contínuo à energia limpa para cerca de 45 famílias, reduz a dependência de combustíveis fósseis — com a economia de mais de 35 mil litros de diesel por ano — e evita a emissão de aproximadamente 111 toneladas de CO₂ anuais, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida e a conservação da floresta. Implantação técnica da Solalux.
Em paralelo, a FAS também instalou 27 novos sistemas de abastecimento de água potável, beneficiando 488 famílias em diferentes comunidades amazônicas.
Para a empreendedora indígena Neurilene Kambeba, responsável pelo Restaurante Sumimi, em Três Unidos, o acesso contínuo à energia tem impacto direto no turismo de base comunitária e nos pequenos negócios locais.
“O que está melhorando não é só a conservação dos alimentos, mas toda a cadeia do turismo de base comunitária, que vem sendo beneficiada por essa iniciativa. Hoje, conseguimos manter os alimentos armazenados com qualidade, além de contar com outros benefícios que a energia disponível o tempo todo nos proporciona. Muita coisa já mudou, e esperamos que mude ainda mais”, comenta Neurilene.
Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, destaca que os resultados demonstram como a conservação ambiental pode caminhar lado a lado com o fortalecimento das comunidades amazônicas.
“Os resultados mostram que enfrentar as mudanças climáticas passa, necessariamente, pela conservação da Amazônia e pelo fortalecimento das populações que vivem nos territórios. Ao longo desses mais de 18 anos, temos desenvolvido iniciativas que unem proteção da biodiversidade, geração de oportunidades sustentáveis e melhoria da qualidade de vida das comunidades. Investir na floresta em pé é uma das formas mais efetivas de contribuir para a agenda climática e construir um futuro mais sustentável para as populações que, há milênios, cuidam da região”, enfatiza.
Campanha amplia debate no mundo digital
Recentemente, a FAS lançou a campanha “Gigante pela própria natureza”, iniciativa que busca ampliar a percepção pública sobre a importância das Unidades de Conservação para a proteção da biodiversidade, a regulação do clima, o fortalecimento da ciência, a valorização das comunidades amazônicas e o desenvolvimento de uma economia baseada no uso sustentável da floresta.
A campanha conta com a participação de criadores de conteúdo da região amazônica, entre eles José Kaeté, principal embaixador da iniciativa, além de Erick Frota, Lívea Amazonas e Isadora Matos. Eles compartilharão informações educativas sobre áreas protegidas, combate à desinformação ambiental, serviços ecossistêmicos proporcionados pelas florestas conservadas e turismo sustentável.
A ação integra o projeto Árvores Gigantes para uma Nova Era – Fase II, voltado à consolidação do Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia (PAGAM), criado em 2024 no município de Almeirim, no Pará. A iniciativa de conservação é liderada pelo Governo do Estado do Pará, por meio do IDEFLOR-Bio, em parceria com a FAS e com financiamento do Andes Amazon Fund (AAF).
Com aproximadamente 560 mil hectares, a unidade contribui para a proteção de espécies raras e ameaçadas de extinção, entre elas o angelim-vermelho (Dinizia excelsa), com 88,5 metros de altura e cerca de 400 anos de idade, reconhecido como a maior árvore da América Latina.
“As Unidades de Conservação são fundamentais para o futuro da humanidade. Quando fortalecemos esses territórios, estamos fortalecendo também as comunidades que vivem neles e os serviços ambientais que beneficiam toda a sociedade. Por isso, é tão importante ampliar o conhecimento e o engajamento das pessoas em torno da conservação da Amazônia”, finaliza Valcléia.
Mais informações sobre a campanha estão disponíveis nas redes sociais: @fasamazonia.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.
Foto: Fernando Sette