Lideranças ribeirinhas debatem soluções para enfrentar a Covid-19 em encontro virtual : FAS Amazônia
19/06/2020
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Lideranças ribeirinhas debatem soluções para enfrentar a Covid-19 em encontro virtual


XXIV Encontro de Lideranças foi realizado pela primeira vez de forma virtual reunindo lideranças ribeirinhas do Amazonas

É sabido que o avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) impactou a sociedade como um todo, desde a economia até no modo como nos relacionamos. Mas e os ribeirinhos, que vivem distante das áreas urbanas, como eles foram impactados? Buscar ouvi-los e pensar em soluções para frear os impactos da pandemia nessas localidades, foram os objetivos do XXIV Encontro de Lideranças, realizado nesta sexta-feira (19), pela primeira vez via plataforma de videoconferência, com a participação de cerca de 30 lideranças de comunidades ribeirinhas de 27 municípios do Amazonas.

Todos os anos, o Encontro de Lideranças, um evento promovido pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e seus parceiros, reúne lideranças ribeirinhas de comunidades localizadas em Unidades de Conservação (UC) do Amazonas. O objetivo é discutir desafios e soluções que atendam as necessidades enfrentadas nessas comunidades, melhorem a qualidade de vida de ribeirinhos e diminuam o desmatamento nessas localidades.

Este ano, além das pautas habituais, os impactos do novo coronavírus nas comunidades foram debatidos pelas lideranças de comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, RDS Mamirauá, RDS Amanã, Resex do Rio Gregório, RDS Rio Negro, Floresta de Maués, Resex Catuá Ipixuna, RDS do Rio Madeira, RDS Piagaçu Purus, RDS de Uacari e RDS Canumã. Além dos males causados pela doença na saúde física e mental, a paralisação de atividades de geração de renda, a desinformação, o encarecimento dos preços dos alimentos e a falta de EPIs (equipamento de proteção individual) para redução do contágio de Covid-19 foram apontados pelas lideranças.

Segundo Andreane Sena, liderança na Resex Catuá Ipixuna, a 424 km de Manaus, a falta de EPIs (equipamento de proteção individual) e a desinformação promovida pelas fakes news promoveram o avanço da doença na comunidade onde vive. “Os ACS (Agentes Comunitários de Saúde) enfrentam dificuldades para visitar as famílias. A falta de EPIs também é outra dificuldade, pois têm comunidades que não receberam nem máscaras. Pra piorar, muitas famílias se recusam a receber os ACS por medo”, contou.

Outro ponto levantado no encontro, foi o custo dos alimentos que aumentam com a pandemia. “As pessoas estão usando a pandemia para se dar bem. Tudo está mais caro. Hoje, o preço do litro de óleo de soja está R$ 7,00. Nunca nós pagamos esse preço.Cabe as pessoas se conscientizarem”, afirmou Raimundo Rodrigues, liderança na RDS Mamirauá.

Ações pelas populações tradicionais

Com o avanço da Covid-19 em Manaus, a FAS em parceria com universidades, instituições públicas, empresas e organizações da sociedade civil, criou a Aliança dos povos indígenas e populações tradicionais e organizações parceiras do Amazonas para o enfrentamento do coronavírus para disseminar informações, arrecadar recursos e equipamentos de saúde e apoiar a distribuição de produtos de assistência básica.

Os eixos de atuação da aliança e a programação da ações em todas as comunidades das 16 UCs onde a FAS atua, foram apresentados pelo superintendente geral da FAS, Virgílio Viana. “A atuação da aliança nas comunidades contempla desde a redução do contágio até o pós-calamidade. Pensamos em tudo para que as populações ribeirinhas não se sintam abandonadas. Tivemos que nos reinventar e replanejar todos os projetos. Criamos um novo programa, ‘Covid’, para atender da melhor forma todos os comunitários neste momento tão desafiador”, explicou Viana.

Momento histórico

Para o gerente do Programa Floresta em Pé (PFP), Edvaldo Corrêa, organizar um evento dessa proporção foi desafiador, exigiu muito planejamento e empenho da equipe envolvida, mas permitiu o surgimento de novas possibilidades. “O desafio foi grande, conseguir conectar via internet várias lideranças comunitárias das 16 unidades de conservação da Amazônia profunda distribuída nos 27 municípios no estado do Amazonas para nós foi histórico! Foram meses de planejamento, fizemos vários testes para identificar qual a melhor tecnologia a ser utilizada e por fim, vimos que conseguimos ”, disse Edvaldo. O evento pode ser realizado com apoio do Fundo Amazônia/BNDES, Bradesco e Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Floresta em Pé

O Programa Floresta em Pé (PFP) implementa a política pública Bolsa Floresta em 16 Unidades de Conservação (UC), em cooperação técnica da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), com objetivo de recompensar populações tradicionais, ribeirinhas e indígenas, que vivem dentro das áreas de floresta pelos serviços prestados em favor da conservação ambiental.