Núcleos de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável

Núcleo Samuel Benchimol amplia a educação e fortalece comunidades no Juma

Um espaço para quem vive o território

Na comunidade Boa Frente, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma, em Novo Aripuanã, estudar nem sempre significou apenas ir à escola. Durante muito tempo, para muitos jovens, continuar a formação significava também precisar deixar a comunidade, afastar-se da família e seguir para a cidade.

Quando isso não era possível, o caminho muitas vezes era interromper os estudos e permanecer no território, ajudando nas atividades da agricultura familiar.

Foi a partir de uma realidade como essa que surgiu uma pergunta que ajudou a orientar a criação dos Núcleos de Conservação e Sustentabilidade: como uma educação pouco conectada às condições e aos modos de vida da Amazônia pode afetar quem vive nesses territórios?

A resposta começou a ganhar forma em 12 de maio de 2009, com a inauguração do Núcleo Samuel Benchimol, na comunidade. O espaço foi o primeiro núcleo idealizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e nasceu com a proposta de aproximar educação, conhecimento sobre o território, conservação e desenvolvimento comunitário.

A ideia era criar um espaço que fizesse sentido para quem vive ali.

“Começamos a idealizar o que faltava para ter, de fato, uma educação de melhor qualidade e uma estrutura que desse ao professor condições de ministrar uma aula de qualidade. Também pensamos em uma educação que tivesse a identidade das comunidades e estivesse relacionada ao contexto da vida comunitária”, explica Ademar Cruz, coordenador de Articulação Institucional da Fundação Amazônia Sustentável.

Quando estudar perto de casa muda possibilidades

O acesso à educação era um dos principais desafios enfrentados pelas famílias da região.

Segundo Edoniete Gonçalves, conhecido como Toquinho, muitos estudantes conseguiam avançar apenas até determinado nível de ensino disponível nas comunidades. Depois disso, as opções se tornavam mais limitadas.

“Existia muita evasão escolar. Muitos alunos chegavam até determinada etapa e depois não tinham mais oportunidade de continuar estudando ali. Os pais precisavam levá-los para a cidade ou, quando isso não acontecia, os filhos acabavam voltando para ajudar na agricultura familiar”, conta o atual gestor do núcleo. 

Ao oferecer atividades educacionais mais próximas das comunidades, o espaço ajudou jovens a continuar estudando sem precisar romper totalmente os vínculos com a família, com a produção local e com o território onde cresceram.

“Com o Núcleo, os alunos tiveram uma nova oportunidade de estudar próximo de casa e continuar ajudando seus pais e familiares na agricultura familiar”, afirma Toquinho.

Ao longo dos anos, os resultados começaram a aparecer também nas trajetórias desses jovens.

Hoje, há ex-alunos que concluíram sua formação no Núcleo e avançaram para novas etapas de estudo, inclusive no ensino superior.

“Já temos muitos alunos formados e alguns estão ingressando na Universidade do Estado do Amazonas, saindo diretamente das comunidades, sem precisar primeiro ir para a cidade para continuar estudando”, diz.

Para quem vive em uma região marcada por grandes distâncias e dificuldades de deslocamento, essa mudança representa mais do que acesso à sala de aula. Representa a possibilidade de construir novos caminhos sem que permanecer na comunidade e continuar estudando sejam escolhas incompatíveis.

Educação contextualizada

Quando estudar perto de casa muda possibilidades

O acesso à educação era um dos principais desafios enfrentados pelas famílias da região.

Segundo Edoniete Gonçalves, conhecido como Toquinho, muitos estudantes conseguiam avançar apenas até determinado nível de ensino disponível nas comunidades. Depois disso, as opções se tornavam mais limitadas.

“Existia muita evasão escolar. Muitos alunos chegavam até determinada etapa e depois não tinham mais oportunidade de continuar estudando ali. Os pais precisavam levá-los para a cidade ou, quando isso não acontecia, os filhos acabavam voltando para ajudar na agricultura familiar”, conta o atual gestor do núcleo. 

Ao oferecer atividades educacionais mais próximas das comunidades, o espaço ajudou jovens a continuar estudando sem precisar romper totalmente os vínculos com a família, com a produção local e com o território onde cresceram.

“Com o Núcleo, os alunos tiveram uma nova oportunidade de estudar próximo de casa e continuar ajudando seus pais e familiares na agricultura familiar”, afirma Toquinho.

Ao longo dos anos, os resultados começaram a aparecer também nas trajetórias desses jovens.

Hoje, há ex-alunos que concluíram sua formação no Núcleo e avançaram para novas etapas de estudo, inclusive no ensino superior.

“Já temos muitos alunos formados e alguns estão ingressando na Universidade do Estado do Amazonas, saindo diretamente das comunidades, sem precisar primeiro ir para a cidade para continuar estudando”, diz.

Para quem vive em uma região marcada por grandes distâncias e dificuldades de deslocamento, essa mudança representa mais do que acesso à sala de aula. Representa a possibilidade de construir novos caminhos sem que permanecer na comunidade e continuar estudando sejam escolhas incompatíveis.

 

O Núcleo em 2026

Famílias atendidas
0
Participação feminina
0 %
Participação jovem
0 %
Comunidades contempladas
0

Uma estrutura para todos

Um espaço que alcança outras comunidades

Embora esteja localizado na comunidade Boa Frente, o Núcleo Samuel Benchimol foi criado para atender um território mais amplo. Atualmente, suas ações alcançam diretamente cerca de 157 famílias de 12 comunidades da região. Entre as pessoas beneficiadas, 54,9% são homens e 45,1% são mulheres, e todas se autodeclaram ribeirinhas.

“Ele foi implantado para suprir tanto a necessidade educacional daquela região como também levar projetos ligados à sociobiodiversidade para as comunidades atendidas. No entorno, são sete comunidades atendidas diretamente e outras cinco alcançadas por outros tipos de projetos”, explica Toquinho.

Essa atuação ajuda a compreender por que o Núcleo nunca foi pensado apenas como uma estrutura escolar.

“A educação nos núcleos é mediada. O Ensino Fundamental II e o Ensino Médio ofertados pelo Estado nas comunidades acontecem ao vivo, com um professor tutor dentro da sala de aula. A partir dessa estrutura, também desenvolvemos projetos complementares à educação formal, com formações em diferentes áreas”, explica Rafael Sales, coordenador de Núcleos de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável. 

Desde sua origem, a proposta envolve diferentes dimensões da vida comunitária, conectando educação a temas como conservação ambiental, produção, saúde, geração de renda e fortalecimento das atividades desenvolvidas no próprio território.

ampliar o repertório

Aprender também é olhar para o redor

A comunidade Boa Frente está inserida em um território com diferentes possibilidades produtivas e conhecimentos associados à floresta.

É justamente essa realidade que também orienta os próximos caminhos do Núcleo.

Entre as atividades que podem desenvolvidas ou ampliadas estão sistemas agroflorestais, manejo florestal de pequena escala, beneficiamento de madeira manejada, meliponicultura (a criação de abelhas sem ferrão), educação ambiental, turismo de base comunitária e pesca esportiva.

A proposta é permitir que crianças, adolescentes e demais moradores conheçam melhor essas possibilidades e compreendam como elas podem se relacionar com conservação, geração de renda e desenvolvimento local.

“O Núcleo está estruturado em uma comunidade que tem muitos potenciais a serem trabalhados. Essa é a oportunidade de fazer funcionar aquilo que foi pensado desde o início: o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, mas também a saúde, a educação, o desenvolvimento socioeconômico e a economia solidária de base comunitária”, afirma Toquinho.

Nesse contexto, aprender sobre sistemas agroflorestais pode significar conhecer novas formas de produzir mantendo a floresta. A meliponicultura pode se transformar em uma alternativa econômica. O turismo pode abrir outra perspectiva de trabalho e valorização do território.

O papel do Núcleo, nesse sentido, também é ampliar o repertório de quem passa por ele.

Onde começou uma história maior

O Samuel Benchimol ocupa um lugar especial na trajetória dos Núcleos de Conservação e Sustentabilidade por ter sido o primeiro espaço criado dentro dessa proposta.

Sua implantação, em 2009, marcou o início de uma experiência que buscava responder a desafios muito particulares da Amazônia: longas distâncias, dificuldade de acesso a serviços, poucas oportunidades de continuidade dos estudos e a necessidade de criar alternativas econômicas compatíveis com a conservação da floresta.

Mais de uma década depois, sua história é também a história de jovens que puderam continuar estudando, famílias que permaneceram mais próximas umas das outras e comunidades que passaram a contar com um espaço voltado para educação e desenvolvimento local.

Em Boa Frente, o Núcleo Samuel Benchimol continua sendo um ponto de encontro entre diferentes caminhos: entre o conhecimento aprendido e o conhecimento vivido, entre a escola e a floresta, entre o presente das comunidades e as possibilidades que elas ainda podem construir para o futuro.