Documentário mostra trabalho de agentes comunitários de saúde que atuam na Amazônia - FAS - Fundação Amazônia Sustentável
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Documentário mostra trabalho de agentes comunitários de saúde que atuam na Amazônia

Documentário mostra trabalho de agentes comunitários de saúde que atuam na Amazônia
outubro 4, 2021 FAS

Documentário mostra trabalho de agentes comunitários de saúde que atuam na Amazônia

04/10/2021
Mulher pilotando barco em rio no Amazonas.

Você sabe qual o papel de um Agente Comunitário e Indígena de Saúde para as populações que vivem em áreas isoladas da Amazônia? O documentário “Entre banzeiros e canoas: os agentes de saúde da Amazônia”, realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o programa Todos pela Saúde, conta a história dos agentes que atuam nas comunidades localizadas dentro das Unidades de Conservação (UCs) do Amazonas. O documentário pode ser conferido no https://youtu.be/cu9NHHz4hkU.

O filme está sendo lançado nesta segunda-feira, 4 de outubro, quando é comemorado o Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde (ACS), e aborda as dificuldades da profissão, o cotidiano dos profissionais que atuam na floresta, os desafios enfrentados durante a pandemia de Covid-19, as mudanças no serviço com a chegada da FAS e a relação entre os agentes e a comunidade. Para além das visitas domiciliares, que facilitam a prevenção de doenças e o atendimento primário, o trabalho dos ACS nas comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia é proteger quem mantém a floresta em pé.

Desafios e importância da profissão

Considerados os “olhos” dos médicos nas comunidades, os agentes contam como encaram o desafio de estarem disponíveis 24 horas por dia para todo o tipo de atendimento: desde picadas de cobra, a partos e até hemorragias graves. Para garantir que os guardiões da floresta sejam cuidados, muitas vezes agentes deixam de lado a vida pessoal e se arriscam em travessias noturnas no rio para atender eventuais emergências.

A ACS Mayara Cristina Pires, que atua na comunidade Jacarequara, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, conta que já precisou levar sua filha pequena para chamadas no meio da madrugada. Para ela, precisar escolher entre cumprir seu trabalho e deixar a família quase a fez desistir.

“É difícil, porque eu tenho dois filhos e às vezes chega uma emergência à noite, eles estão dormindo e a gente tem que ir. Muitas vezes eu acompanho o paciente até o hospital, espero o resultado para trazer a notícia para família. E era muito difícil para mim ter que deixar eles, porque são crianças ainda”, comenta.

A facilidade de deslocamento é fator fundamental, mas não é o único ponto de afinidade entre os profissionais e pacientes. Como moradores das comunidades que atendem, os ACS conhecem bem as particularidades da área, o que facilita na hora de criar um bom relacionamento. A agente Krisiane Brito do Nascimento, da comunidade do Tumbira, na RDS do Rio Negro, explica a importância da possibilidade de uma abordagem mais informal.

“Eu faço uma busca ativa nas casas, acompanhamento diabéticos, hipertensos e crianças e recém-nascidos. Sempre é bom ter uma pessoa pra acompanhar, porque muitas vezes as pessoas não têm disponibilidade de ir até a UBS. Se torna mais fácil ir até a casa deles pra ver a necessidade deles e tentar suprir de alguma forma”.

O papel dos ACS durante a pandemia

Com a chegada da Covid-19 nas comunidades, os desafios para os agentes de saúde ficaram ainda mais evidentes. Na linha de frente do enfrentamento, as visitas domiciliares tornaram-se mais necessárias, mas também os expunha mais ao vírus. A situação, que pegou todos de surpresa, exigiu uma preparação ainda maior dos ACS para enfrentar a situação.

O Agente Indígena de Saúde (AIS) Waldemir da Silva, da etnia Kambeba, e líder da Aldeia Três Unidos, conta no documentário o processo da pandemia na comunidade onde atua. A localidade, segundo ele, não foi afetada pela primeira onda da Covid, mas posteriormente, os indígenas da região enfrentaram a doença com remédios caseiros – como chás da casca de laranjeira ou de raiz de açaí – para auxiliar a atuação dos profissionais de saúde.

“Aí que você tem que não ficar desesperado. O profissional tem que ser bem corajoso pra estar ali diariamente. A covid mexe com tudo. Eu fiquei uma semana sem saber que hora do dia era, nem da noite”, relembra.

Já na comunidade onde Mayara trabalha, a pandemia dificultou a relação com as famílias que visitava. O equipamento de proteção, por exemplo, tornou-se também uma barreira entre ela e os pacientes.

“Eu tinha que visitar as casas das pessoas e tinha muito medo de pegar o vírus e levar pra casa. Eu saía toda equipada, com material de proteção. Quando eu chegava nas casas, as pessoas não achavam legal e achavam que eu estava com medo delas. Eu temia por mim e pelas pessoas e elas não entendiam. Muitas vezes não queriam contar que estavam com o vírus, porque queriam ficar circulando. Me sentia muito mal mesmo, foi bem difícil”.

Na comunidade Punã, situada na RDS Mamirauá, a convocação de moradores para se vacinarem contra a Covid-19 tem sido feita pelo ACS Sebastião Bezerra Marinho. Segundo o profissional, no início, a aceitação foi difícil, mas ele tem orientado as pessoas a tomarem as doses necessárias para se protegerem. “A primeira onda não foi fácil, faltou consenso da comunidade. Mas eu oriento, eu tô fazendo o possível. E quando eu chego numa casa e as pessoas agradecem pelo meu trabalho, isso é o que mais me motiva”.

A atuação da FAS para a saúde ribeirinha

Em meio às demandas da vida pessoal, a principal motivação é o amor pela profissão. Mas este não é o único pilar para o bom funcionamento da relação com os agentes comunitários de saúde. Para a FAS, o cuidado com a Amazônia também inclui trabalhar em melhorias no acesso à saúde nas comunidades.

No final de 2020, em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e apoio da Embaixada da França, e do projeto Todos pela Saúde, do Itaú Unibanco, a FAS realizou curso de capacitação dos ACS para a atuação na pandemia. Além das especializações, a fundação também se juntou à empresas, por meio da Aliança Covid Amazônia, para conseguir doações de itens como cestas básicas, kits de material de higiene, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), oxímetros, sachês purificadores de água, medicamentos, combustível, entre outros.

As ações de formação e  telessaúde (teleorientações e teleatendimentos), realizadas em parceria com o Todos Pela Saúde, já beneficiaram 1.968 famílias de 32 comunidades. Ao todo, 92 ACS foram diretamente beneficiados pelos cursos de capacitação profissional oferecidos.

Segundo Luiz Castro, coordenador do programa Saúde na Floresta da FAS, a capacitação dos ACS é eixo fundamental do projeto de telessaúde da FAS. Até hoje, já foram realizadas 135 webpalestras e rodas de conversa destinadas à qualificação desses profissionais.

“Ao receberem essa capacitação, os profissionais passam a ter uma qualidade de atendimento e execução de ações de saúde superior ao que tinham antes. Isso representa um ganho direto para eles e para os comunitários que serão atendidos por eles”, afirma