Virgilio Viana recebe Homenagem Especial no XVI Prêmio Hugo Werneck

Reconhecimento destaca a trajetória do fundador da FAS e sua atuação no Banzeiro da Esperança, movimento que levou as vozes e propostas dos povos da Amazônia à COP30 

O superintendente-geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgilio Viana, recebeu nesta segunda-feira (8), uma Homenagem Especial durante o XVI Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente & Sustentabilidade, realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais. O reconhecimento destacou sua trajetória dedicada à conservação da Amazônia, ao desenvolvimento sustentável e, especialmente, sua atuação à frente do Banzeiro da Esperança.

O Banzeiro da Esperança nasceu de um amplo processo de escuta realizado em mais de 2 mil comunidades e aldeias amazônicas, a partir de uma pergunta direta: “Qual é o problema e qual é a solução?”. As respostas permitiram identificar desafios vivenciados nos territórios e reunir propostas construídas sob a perspectiva de indígenas, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, agricultores familiares e outras populações tradicionais.

A mobilização ganhou forma em uma expedição fluvial entre Manaus e Belém, realizada durante a COP30. Ao longo de mais de 1.600 quilômetros de navegação, o barco transformou-se em espaço de diálogo, formação, articulação política, cultura e troca de conhecimentos, reunindo lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil, pesquisadores, artistas, jovens comunicadores e parceiros nacionais e internacionais.

O movimento buscou assegurar que as prioridades dos territórios fossem apresentadas a partir das vozes de quem vive e protege a floresta. Oficinas, plenárias, rodas de conversa e atividades culturais contribuíram para a construção de uma agenda coletiva sobre adaptação climática, justiça social, proteção territorial e desenvolvimento sustentável.

Um dos principais resultados dessa articulação foi a Carta da Aliança dos Povos Guardiões da Amazônia, documento construído coletivamente por indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e extrativistas. Entregue à presidência da COP30, a carta defende a garantia dos territórios, o financiamento direto às organizações de base, o protagonismo das mulheres amazônicas, a valorização dos saberes ancestrais e a participação das juventudes nas decisões climáticas. Leia a carta na íntegra no site da FAS.

O Banzeiro também contribuiu para consolidar os Planos de Ação Climática elaborados por 628 comunidades de cinco estados da Amazônia. Os documentos apresentam prioridades relacionadas ao acesso à água e ao saneamento, à bioeconomia, à produção resiliente, à infraestrutura, à proteção territorial, à educação e à cultura climática.

Para Virgilio Viana, o reconhecimento reafirma a importância de transformar a esperança em ação e de assegurar que as soluções construídas pelas comunidades recebam apoio para sair do papel.

“Recebo esta homenagem com muita gratidão, mas também com um forte senso de responsabilidade. O Banzeiro da Esperança mostrou que a Amazônia não é apenas um território impactado pelas mudanças climáticas: é também um território que produz conhecimentos e soluções. O nosso desafio agora é transformar a escuta, os planos e os compromissos construídos pelas comunidades em ações concretas, com investimento, participação e resultados nos territórios”, afirmou.

Segundo o professor, o movimento avança agora para a implementação dos primeiros planos de adaptação climática desenvolvidos a partir das demandas apresentadas pelas comunidades. “Vamos substituir o pessimismo e a angústia, que muitas vezes decorrem da constatação do que vem por aí com as mudanças do clima, por uma esperança baseada em ações e fazimentos concretos. Com isso, podemos construir uma agenda guiada pela ecologia integral”, afirmou.

A homenagem também reforça uma relação de reconhecimento já construída entre a FAS e o Prêmio Hugo Werneck. Em 2015, a Fundação venceu o VI Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza, na categoria Exemplo do Terceiro Setor, em reconhecimento à sua atuação socioambiental na Amazônia.

Para a FAS, o reconhecimento celebra não apenas uma trajetória individual, mas uma construção coletiva realizada ao lado das comunidades amazônicas, das equipes que atuam nos territórios e dos parceiros comprometidos com soluções que conciliam conservação ambiental, geração de renda, educação, ciência, justiça social e desenvolvimento sustentável.

Sobre o Prêmio Hugo Werneck

Idealizado pela Revista Ecológico, o Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente & Sustentabilidade chega à sua 16ª edição como uma das principais premiações ambientais do país, sendo conhecido como o “Oscar da Ecologia brasileira”.

Ao longo de sua trajetória, o prêmio já recebeu mais de mil inscrições e indicações e reconheceu mais de 186 vencedores e homenageados. A iniciativa tem como objetivo divulgar projetos, ações, organizações e lideranças que se destacam na defesa do meio ambiente, na promoção da sustentabilidade e no enfrentamento às mudanças climáticas.

A premiação conta com a participação do Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de seus órgãos vinculados, além do apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por meio do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

O prêmio também é legitimado pelo Centro Hugo Werneck de Proteção à Natureza e conta com o apoio da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, da Fundação SOS Mata Atlântica e de outros parceiros estratégicos.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

Foto: Jairton Melo

 

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