Além das já conhecidas doenças respiratórias causadas pelo contato com a poluição oriunda de incêndios florestais na Amazônia, a fumaça dessas queimadas também pode ocasionar problemas cardíacos e neurológicos à saúde humana. É o alerta que foi feito durante o seminário “Impactos da Poluição por Incêndios Florestais na Saúde Pública na Amazônia”, que reuniu especialistas em meio ambiente e saúde para discutir e propor soluções ao tema na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS).
Um desses problemas neurológicos é a demência, segundo explicou o médico Euler Ribeiro, reitor da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), um dos participantes do seminário. “A demência vascular cerebral, a demência, é consequência da anoxia cerebral, que é a falta de oxigênio no cérebro. Se não tiver sangue oxigenando o cérebro em alto índice as células cerebrais morrem e se vê um declínio cerebral grande; e a inalação da concentração de gás carbônico na atmosfera causa essa anoxia”, disse
Tal contato com gases poluentes vindos das queimadas causa ainda os campeões de registro e bem conhecidos problemas respiratórios, sem falar na contribuição desse fenômeno ao aumento da temperatura global. De acordo com o médico e professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Saldiva, tais problemas, inclusive, serão mais comuns em populações amazônicas.
“As cidades na Amazônia vão ser as mais prejudicadas com as mudanças climáticas. As pessoas das regiões Norte e Nordeste do país também vão sentir mais com o aumento das temperaturas, do calor. Isso diminui a expectativa de vida, aumenta a mortalidade e os atendimentos em hospitais devido ao crescimento das doenças”, ressaltou Sadiva, que participou do seminário diretamente de São Paulo, em vídeo-chamada.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no Amazonas é a sexta menor do Brasil. Conforme último balanço divulgado com dados do ano passado mostram que as pessoas vivem até os 72,1 anos no Estado, abaixo da média nacional de 76 anos e da maior esperança de vida, que é em Santa Catarina, aos 79,4 anos.
“A expectativa de vida no Amazonas difere para menos da expectativa de vida do povo brasileiro e isso tem consequência muito grande da destruição das florestas com as queimadas. As pessoas vivem menos. As crianças e os idosos estão mais suscetíveis à inalação dessas substâncias advindas das queimadas e que causa alterações agudas e crônicas nos sistemas respiratório e cardíaco que podem levar à antecipação da finitude”, reforçou o médico Euler Ribeiro.
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Além de doenças respiratórias, queimadas na Amazônia podem causar problemas cardíacos e neurológicos
Impactos da poluição causada pelos incêndios florestais à saúde das pessoas foram debatidos durante encontro em Manaus. Objetivo é criar agenda de discussão e propor recomendações ao poder público