Protagonismo comunitário é tema de Seminário de Empreendedorismo Ribeirinho em Manaus : FAS Amazônia
26/08/2015
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Protagonismo comunitário é tema de Seminário de Empreendedorismo Ribeirinho em Manaus


Cerca de 60 moradores de dez unidades de conservação do Amazonas estão reunidos em Manaus, nestes dias 26 e 27, para a primeira edição do Seminário de Empreendedorismo Ribeirinho. Com o tema “Protagonismo Comunitário”, o encontro visa promover um intercâmbio entre empreendedores para desenvolver negócios sustentáveis no estado e destacar cases de sucesso vindos da floresta. O evento é realizado pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM). A FAS contou com apoio ainda da TAM Linhas Aéreas no evento.
No primeiro dia do evento, representantes da FAS e do Sebrae falaram sobre estratégias para desenvolver os negócios comunitários, elaboradas pelo Projeto Empreendedorismo Ribeirinho, que atualmente beneficia mais de mil moradores de unidades de conservação. Em seguida, foram apresentados cases de sucesso nas áreas de turismo, gastronomia e artesanato.
Neurilene Cruz, de 31 anos, apresentou os resultados do trabalho iniciado por ela na comunidade Três Unidos, localizada às margens do Rio Cuieiras (64 km de Manaus), na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro. Proprietária de uma mercearia construída na comunidade em 2007, a comerciante, indígena da etnia Kambeba, falou sobre como as técnicas de venda e gerenciamento trazidas pelas capacitações do Sebrae e FAS aumentaram a movimentação da loja. Com o aumento da renda e as lições aprendidas, ela conseguiu construir um novo comércio flutuante. “Tivemos oficinas que ensinaram sobre movimentar o dinheiro, como vender bem e comprar certo, e isso nos trouxe muitos benefícios. A iniciativa ajudou não só a mim e a minha família, mas toda a comunidade”, destacou Neurilene.
Além de investir nas mercearias, Neurilene gerencia a associação de mulheres da comunidade, que mantém um restaurante local. Após anos com uma estrutura menor, elas decidiram expandir os negócios construindo um restaurante maior com vista para a praia. Fazendo planejamentos a longo prazo, Neurilene sonha com negócios em um novo ramo: combustível. “Agora queremos vender gasolina, diesel, e outros combustíveis. Vamos usar o dinheiro que estamos juntando para esse novo negócio, um pontão (espécie de posto de combustível flutuante)”, diz.
Outro case apresentado foi o de Maria Rozenice Assis. Empreendedora, ela foi uma das pioneiras em difundir a técnida da produção da Teçume da Amazônia, marca da Grupo de Mulheres da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, localizada no Médio Solimões. Em suas peças, as mulheres do grupo fazem referência ampla de pertencimento à Amazônia. A marca hoje é conhecida nacional e internacionalmente em sua área e já esteve presente em grandes eventos como o Salão Mãos do Brasil, em São Paulo, Feneart 2015, em Recife. Entre as conquistas, em 2013, a marca foi selecionada entre os cinco melhores artesanatos do mundo e recebeu prêmio de reconhecimento em Nova Iorque.
Para Maria Rozenice, o empreendedorismo não só ajudou na geração de renda, mas no empoderamento de mulheres. “Foi difícil mostrar para o meu marido que eu podia unir outras mulheres para trabalharmos e ganharmos dinheiro com uma produção sustentável. Com o tempo, ele mudou a maneira como pensava. Eu mudei totalmente como pessoa, me desenvolvi muito”, revelou.
Projeto Empreendedorismo Ribeirinho
Mais de 20 municípios do interior do Estado estão recebendo o projeto Empreendedorismo Ribeirinho, que pretende beneficiar mais de mil pequenos empresários. Na fase inicial, o projeto realizou um diagnóstico de 15 cadeias produtivas prioritárias, que vão desde ao manejo de açaí e pirarucu de farinha até as atividades de turismo. Agora, são realizadas capacitações para aprimorar as produções. Saiba mais!