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Comunidade indígena do Amazonas ganha polo de telessaúde abastecido com energia solar

Comunidade indígena do Amazonas ganha polo de telessaúde abastecido com energia solar
novembro 16, 2020 forner

Comunidade indígena do Amazonas ganha polo de telessaúde abastecido com energia solar

Infraestrutura garante segurança para a prestação de serviços de saúde, além de possibilitar atendimentos à distância, a fim de evitar o deslocamento de pacientes e profissionais.

16/11/2020

Com objetivo de fortalecer o serviço de telemedicina, diminuindo os impactos da Covid-19 e melhorando o atendimento de saúde em comunidades remotas da Amazônia, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em parceria com Empowered by Light, realizou a instalação de placas solares na Terra Indígena Kumaru do Lago Ualá, localizada no município de Juruá, a 674 quilômetros de Manaus.

A iniciativa beneficia mais de 105 famílias do povo Madija Kulina, que vivem na aldeia Boca do Pau-Pixuna. No local, há um Polo Base do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Médio Rio Solimões e Afluentes (MRSA), que funcionava apenas com gerador de energia movido à combustível, uma fonte não renovável, poluente e cara.

“Agora eles terão energia limpa, de qualidade e que não vai afetar o meio ambiente, além de acesso à internet para se comunicar com a sede do município ou Manaus. Com isso, poderão ter atendimento médico à distância, que é super importante para ajudar no diagnóstico e prevenção de doenças”, destaca o gerente do programa Floresta em Pé da FAS, Edvaldo Corrêa.

Com o novo sistema, o trabalho dos profissionais de saúde será facilitado e os moradores não precisarão se deslocar até a cidade para garantir assistência médica. Segundo a enfermeira assistencial, Claudia Mariscal, a falta de energia tornava o translado necessário até mesmo para tratamentos que poderiam ser realizados no local, aumentado consideravelmente os custos com a logística.

“Quando temos uma criança, por exemplo, com pneumonia. É uma doença que a gente pode tratar aqui mesmo no polo. Mas, devido à falta de energia, não tem como fazer a nebulização, que é a inalação. Então, temos que remover a criança para o município mais próximo”, explica, destacando também que os atendimentos noturnos eram realizados apenas com o auxílio de uma lanterna, tornando o trabalho ainda mais desafiador.

Para o morador da aldeia, Ulisses Ramos, abandonar a fumaça, o barulho e os gastos acarretados pelo gerador à diesel representa um sonho realizado. “Ninguém sente nada, é só a placa mesmo com a luz do sol. Se chama ‘luz de deus’. Estamos achando muito bom isso”, afirma. Uma nova realidade que ele deseja, inclusive, que se estenda para toda a comunidade no futuro: “A gente precisa dessa energia, não é só para se ‘alumiar’, é pra saúde”.

Saúde online  

Além de gerar economia financeira e reduzir os impactos ambientais, a instalação do sistema ampliará a prestação do serviço de telemedicina, que permite aos indígenas atendimento médico gratuito com o auxílio da internet.

Com a pandemia do novo coronavírus, a conexão com a rede tem sido uma importante aliada dos profissionais que atuam em regiões remotas, pois possibilita o recebimento de orientações e treinamentos para o acompanhamento adequado dos casos suspeitos da Covid-19, bem como um trabalho integrado para prevenir a transmissão na comunidade.

O atendimento médico online é realizado através de uma parceria entre a FAS e o sistema de Telessaúde da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que disponibiliza orientação técnica e capacitação para os agentes de saúde, assim como acolhimento psicológico para os profissionais e moradores, principalmente para evitar deslocamentos, garantir segurança e bem-estar para as comunidades.

 A estratégia faz parte da atuação da “Aliança dos Povos Indígenas e Populações Tradicionais e Organizações Parceiras do Amazonas para o Enfrentamento do Coronavírus”, iniciativa coordenada pela FAS, em conjunto com mais de 112 parceiros, para reduzir as consequências sanitárias, sociais e econômicas provocadas pelo vírus. Além dos teleatendimentos, o projeto tem trabalhado desde o início para estruturar diversos polos de telessaúde em comunidades e aldeias, com instalação de pontos de internet e energia solar.