FAS assina acordo com Moçambique - FAS Amazônia : FAS Amazônia
16/03/2009
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FAS assina acordo com Moçambique


Por Marina Guedes

O diretor geral da FAS, Virgilio Viana e a ministra do meio ambiente de Moçambique, Dra.  Alcinda Antônio de Abreu, na ocasião de assinatura do acordo (Foto: Paula Viana/ FAS)

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) assinou, na tarde desta segunda-feira, 16 de março, um acordo inédito com Moçambique que permitirá a troca de conhecimento entre Brasil e África nas ações voltadas ao meio ambiente. A iniciativa foi estimulada durante a 14ª Conferência das Partes para as Mudanças Climáticas da ONU (COP 14), em Poznan, Polônia, no mês de dezembro de 2008. Na ocasião, uma comitiva de profissionais da FAS interagiu com a ministra do meio ambiente de Moçambique, Dra. Alcinda Antônio de Abreu.
 
Em Manaus para participar do “Workshop de Colaboração Sul Sul sobre Experiências Práticas na Aplicação de Atividades de REDD- foco África”, a autoridade africana recordou a interação na Europa, no ano passado. “O encontro com a FAS foi amor à primeira vista. O conteúdo deste amor foi a natureza. Vimos o trabalho da Fundação e percebemos o quanto temos em comum em termos de preocupação. Esta parceria é a chance de ajudarmos com nossa experiência e trocarmos conhecimento com o Brasil”, afirmou a ministra Alcinda.
 
Também presente na assinatura do acordo e na abertura do Workshop Sul Sul África, o diretor geral da FAS, Virgilio Viana, reforçou a importância da parceria. “Este documento formaliza a troca de experiência que passaremos a ter com Moçambique. Não se trata de um investimento financeiro, mas de uma troca de experiências técnicas manifestada pelo interesse de ambas as partes”, afirmou. E completou: “Tudo o que aprendemos, com iniciativas como o Programa Bolsa Floresta, por exemplo, será compartilhado com Moçambique, que é um país com suas particularidades e riquezas únicas. A solução do planeta envolve cuidar das florestas de todo o mundo”, pontuou o diretor geral da FAS.
 
Workshop pelo Rio Negro
 
Ao longo de quatro dias, (entre os dias 16 a 19 de março), 15 países terão como meta compartilhar experiências em REDD – mecanismo de incentivo financeiro ao combate do desmatamento em florestas tropicais e mudanças climáticas. O “Workshop de Colaboração Sul-Sul sobre Experiências Práticas na Aplicação de Atividades de REDD – foco África” é promovido por meio do Fórum de Preparação para REDD (Forum on Readiness for REDD), em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Woods Hole Research Center (WHRC), Meridian Institute e International Conservation and Education Fund (Incef), com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore. O workshop será realizado a bordo da embarcação Hélio Gabriel, nas águas do Rio Negro.
 
A programação do workshop inclui uma visita à recém criada Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro no dia 17, terça-feira, para acompanharem as oficinas iniciais do Programa Bolsa Floresta. A atividade será realizada na comunidade Tumbira, sob coordenação de profissionais da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) que já estão no local.
O diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgilio Viana, destacou a parceira com o Governo do Estado do Amazonas e o Idesam que permitiu que o projeto RED alcançasse produtivos resultados. “Ao longo do seminário, abordaremos as questões metodológicas do Projeto Juma. Com a validação da metodologia de carbono para este projeto conseguimos um avanço muito importante, um marco histórico”, pontuou Viana.
 
O coordenador de projetos especiais da FAS, Gabriel Ribenboim, ressalta que o evento é um espaço singular para a troca de conhecimentos e experiências entre países com alto potencial para o desenvolvimento e implementacão de projetos de REDD. Ribenboim lembra que “o REDD foi criado essencialmente para atingir a redução de emissões provenientes do desmatamento, mas tem enorme potencial e não deve estar desvinculado de benefícios para a biodiversidade, para o ciclo hidrológico e às populações tradicionais habitantes das florestas”. Em fevereiro, ele representou a FAS ao lado dos diretores Virgilio Viana e João Tezza no workshop que reuniu iniciativas de REDD na América Latina e Estados Unidos. O projeto de RED na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma foi o assunto apresentado pela FAS.   
 
Emissões
 
O desmatamento tropical responde por mais de 20% das emissões mundiais de gases do efeito estufa (GEE). Por isso, o tema REDD tem tido crescente importância nas negociações da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC). O objetivo principal do Workshop Sul-Sul África é promover a capacitação e troca de informações entre países do Hemisfério Sul que já desenvolvem iniciativas do REED. Uma das questões mais discutidas no âmbito do novo acordo que substituirá, em 2012, o Protocolo de Kyoto é como criar mecanismos de incentivos financeiros para reduzir o desmatamento nos países tropicais – os chamados REDD. Daí a importância deste evento. 
 
De acordo com o secretário executivo e coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam, Mariano Cenamo, “espera-se do encontro uma produtiva agenda de trabalho, visto que as dificuldades e desafios sobre REDD enfrentados pelos países participantes são muito similares. Na oficina entre países da América Latina, em fevereiro, os resultados foram positivos e culminaram com a proposta de criação de um Fórum Latino-Americano de REDD, que permitirá a troca de informações e participação de governos, instituições não governamentais, institutos de pesquisa, empresas e outros atores envolvidos com o tema na America Latina”, finaliza Mariano