Festival literário discute mudanças climáticas : FAS Amazônia
21/11/2008
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Festival literário discute mudanças climáticas


Além de literatura, cultura e jornalismo, a primeira edição do Flifloresta (Festival literário Internacional da floresta) também teve como foco assuntos voltados ao meio ambiente e às realidades locais. A questão das mudanças climáticas não poderia ficar de fora das discussões. Para abordá-la, três especialistas foram convidados na mesa de discussão “Mudanças Climáticas e a Amazônia”, no segundo dia do evento, terça-feira, 18 de novembro, no auditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA): o pesquisador do Inpa, Niro Higuchi; o físico e doutor da UEA, Marcílio de Freitas; e o diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgilio Viana.

A justificativa para a abordagem climática, segundo um dos coordenadores do Flifloresta, Tenório Telles, está associada à relevância global.  “O tema entrou para o simpósio devido ao grande debate que ocorre no meio científico. O que se pretende é chamar a atenção para a gravidade e urgência de atitude de todos para minimizar os efeitos destas mudanças”, salientou Tenório.


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Quanto à seleção dos convidados, Telles revelou que ocorreu em função da credibilidade de cada um em sua respectiva área de atuação. “A escolha se deu em consideração ao trabalho desenvolvido por eles em relação à temática em questão. No caso de Virgílio Viana, foi a primeira pessoa que me esclareceu, com muita clareza, a questão do clima no planeta e o risco que a humanidade sofre com as mudanças climáticas”, destacou Tenório Telles. 

O pagamento pelos chamados serviços ambientais foi o norte da fala do diretor geral da FAS, Virgilio Viana. “É muito interessante um festival de literatura ter assuntos apropriados ao momento em que vivemos”, afirmou. “O que acontece na Amazônia não foi nada diferente da Mata Atlântica. Essa visão de que mata é uma coisa ruim está muito presente no inconsciente coletivo”, frizou professor Virgilio. A grande mensagem “é de que a floresta deve valer muito mais em pé que desmatada”. Conceito este que faz parte de um dos principais projetos da FAS, o Programa Bolsa Floresta. 

Também referência nas questões ambientais globais e locais, o físico Dr. Marcílio de Freitas enxerga o Flifloresta como uma iniciativa fundamental à compreensão das temáticas não somente literárias como culturais e ambientais. “Este assunto é muito importante porque está diretamente relacionado com a nova forma de se organizar os processos civilizatórios mundiais. Na perspectiva regional, reafirma a importância geopolítica da Amazônia. O Amazonas é o mais emblemático (Estado) no que se refere às mudanças climáticas”, salientou. “A principal importância é discutir a Amazônia sob o ponto de vista da cultura e não somente da natureza”, concluiu Freitas.

O estudante do segundo período de ciências biológicas da UniNorte, João Bosco Soares Leite, 18, compartilha a opinião de Tenório Telles. “Por estar aberto ao público geral, este evento é muito relevante. É mais uma chance de chamar atenção para a importância da Amazônia aos próprios brasileiros. A nossa maior riqueza”, declarou o universitário. O que o motivou a participar no Flifloreta foi a “chance de encontrar escritores e poetas, estudiosos e demais pessoas do meio”, reforçou o aluno.

Texto: Marina Guedes / Fotos: Antonio Lima