Bolsa Floresta é recomendado pela IV Conferência Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais do Amazonas

Experiências de programa pioneiro do Amazonas podem servir de exemplo para políticas implantadas em âmbito nacional

Por Fundação Amazônia Sustentável

11.06.2013

Depois de cinco anos de implantação o Programa Bolsa Floresta (PBF), concebido pelo Governo do Estado e gerenciado pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), recebeu completo reconhecimento por parte dos delegados da 4ª. Conferência Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais, realizada em Manaus, realizada entre os dias 3 e 6 de junho de 2013.

A conferência que contou com mais de 390 delegados representantes do movimento social, associações de base extrativistas e ONGs, é o mais importante evento para definição de política para o desenvolvimento sustentável com ênfase na conservação florestal e inclusão social.

O Bolsa Floresta foi apresentado e detalhadamente debatido em relação ao seu conceito, transparência, arranjo institucional e metodologias de implantação, no Grupo de Trabalho 4 â?? Serviços Ambientais: Bolsa Floresta, Bolsa Verde e outros.

O resultado foi a formalização da proposta de ampliar o programa tanto dentro de outras Unidades de Conservação (UCs) como nas demais categorias de áreas. Hoje o Bolsa Floresta atua em 15 UCs do Estado, beneficiando mais de 37 mil pessoas. Em nUmeros de área, o programa abrange cerca de 10 milhões de hectares de floresta nativa.

Foi sugerido ainda que o Programa Bolsa Verde, do Governo Federal, se torne permanente com projeto de Lei: ganhe sua duração estendida, e seja remodelado seguindo o modelo de critérios de inclusão e distribuição dos recursos do Programa Bolsa Floresta, do Governo do Amazonas, levando em consideração o uso sustentável dos recursos naturais pelas famílias beneficiadas.

O PBF foi criado por intermédio da Lei 3.135, sobre Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, em setembro de 2007. Para fazer parte do Programa, os comunitários precisam morar na reserva há mais de dois anos, assinarem um termo de compromisso com o não desmatamento e participarem das oficinas do Bolsa Floresta Familiar. O objetivo é assegurar que todos os beneficiários atuem ativamente como guardiões da floresta.

A secretária executiva de Florestas e Extrativismo, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Sila Mesquita, enfatiza que modelo vitorioso do Estado possui acertos que servem de inspiração ao Governo Federal.

“O Amazonas foi o grande inspirador de várias políticas nacionais. Na gestão da presidenta Dilma, tivemos o Bolsa Verde, muito comparado ao Bolsa Floresta. Os dois olham as pessoas como o principal ator das nossas florestas, trazendo a sustentabilidade ambiental e sustentabilidade social. O Bolsa Verde é uma cópia do Bolsa Floresta”

Edmar Pereira de Souza, presidente da Central das Associações Agroextrativistas da Democracia do Rio Amapá (CAAD), comenta que o Bolsa Floresta tem levado qualidade de vida para moradores, sempre questionando os próprios ribeirinhos.

“Temos oficinas em que mostramos no que podemos trabalhar, e o Bolsa Floresta tem nos apoiado em muita coisa. Hoje, conseguimos melhorar nossa produção de castanha e escoar a produção com apoio do [Bolsa Floresta] Renda.”

As propostas foram levadas á plenário e na presença da totalidade dos delegados foram integralmente aprovadas. A conclusão da IV Conferência foi uma grande vitória do pioneirismo do Estado do Amazonas no pagamento por serviços ambientais, realizado de forma participativa e garantindo o empoderamento das associações representativas das populações ribeirinhas beneficiárias. 

Notícia da Fundação Amazônia Sustentável