Cooperação Sul Sul promove troca de experiências entre Brasil e países africanos : FAS Amazônia
08/02/2011
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Cooperação Sul Sul promove troca de experiências entre Brasil e países africanos


A delegação africana que desembarcou no Brasil semana passada para participar da Cooperação Sul Sul – série de visitas organizadas pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em parceria com o Banco Mundial, para promover a troca de experiências relacionadas aos programas de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) e ao manejo florestal no País – acaba de concluir mais uma etapa do evento, realizada neste final de semana durante viagem pelo Rio Negro.

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Grupo durante visita à comunidade do Tumbira (fotos Monick Maciel)

 Durante três dias, o grupo – integrado por 20 participantes de seis países da África (Camarões, República Centro Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Madagáscar e República do Congo) – permaneceu no Estado do Amazonas, onde conheceu as iniciativas da FAS. No primeiro dia, a delegação, acompanhada pelo superintendente-geral da entidade, Virgílio Viana, visitou as instalações do Núcleo de Conservação e Sustentabilidade Agnello Bittencourt, na comunidade Tumbira, e participou de uma oficina de planejamento do Programa Bolsa Floresta – primeiro projeto brasileiro certificado internacionalmente para recompensar as populações tradicionais pela manutenção dos serviços ambientais prestados pelas florestas.

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Representantes africanos durante visita ao NCS Agnello Uchôa Bittencourt

 A programação também incluiu uma série de palestras, entre elas a de Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros, que destacou suas experiências de uso sustentável da terra para a produção de borracha.

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Superintendente geral da FAS, Virgilio Viana 

Virgílio Viana explica que o principal objetivo da Cooperação Sul Sul é mostrar aos participantes os avanços do Brasil em termos de políticas, implementação do REDD e do manejo florestal comunitário. “Estamos colaborando com os países da África mostrando a eles nossa expertise, visando a proporcionar aos participantes um conhecimento ainda mais abrangente sobre as iniciativas relativas ao REDD, tanto governamentais quanto não-governamentais, já que os países que estão conosco são engajados no tema. Aproveitamos a oportunidade, também, para promover debates e ver como cada projeto pode se encaixar na realidade local dos representantes aqui presentes”, explicou Viana.

Para Alphonse LongBango, diretor de Programas do Comitê de Direitos Humanos e Desenvolvimento da República do Congo, conhecer o Bolsa Floresta permitiu ampliar sua visão sobre serviços ambientais. “Essa é a primeira oportunidade que temos de ver um programa tão avançado. As populações do Congo se assemelham muito com as do Brasil, porém nosso trabalho ainda não está no nível do realizado pela FAS. Portanto, as lições aprendidas aqui serão utilizadas em nosso país”, afirmou.

 

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Grupo participa de oficina do Programa Bolsa Floresta com comunitários. De costas, Viana e Valcléia Solidade, coordenadora geral do Bolsa Floresta 

Nos outros dois dias de viagem, a delegação conheceu outras comunidades em que a FAS atua, conferiu atividades de integração entre comunidades, assistiu reuniões de planejamento realizadas com os moradores das áreas atendidas pela entidade para entender o funcionamento do Programa Bolsa Floresta e participou de palestra com a secretária de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas, Nádia D´Avila, sobre a política de serviços ambientais do Amazonas. “Em parceria com a FAS, realizamos um importante trabalho sobre o uso legal das terras do Estado. Parte do projeto inclui a entrega de planos de manejo florestais e realização de treinamentos sobre o uso legal da madeira”, diz a secretária.

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Secretária Nádia D´Ávila, Virgilio Viana, André Aquino (Banco Mundial) e ministro da RDC, Gaston Nginayevuvu.

Antonio Carlos Hummel, representante do Serviço Florestal Brasileiro, Domingos Macedo, do CEUC – Centro Estadual de Unidades de Conservação, e Eduardo Rizzo, do Idesam, compartilharam resultados positivos obtidos por meio da atuação em parceria com as comunidades florestais e desafios do manejo florestal no Amazonas.

Para encerrar a programação da segunda etapa, João Tezza, superintendente técnico-científico da FAS, explicou ao grupo os métodos de estudo para identificar oportunidades da economia florestal e, ao lado de Válcleia Solidade, coordenadora do Bolsa Floresta, esclareceu as dúvidas dos participantes sobre o programa.

João Tezza (de lado) falou sobre economia florestal

“Todo o trabalho que vimos aqui e as experiências que tivemos serão levadas aos nossos países. Gostaria de ressaltar que a Fundação Amazonas Sustentável servirá de exemplo de atuação para mim”, declarou o Ministro da República Democrática do Congo, Gaston Nginayevuvu.

O programa, que teve inicio em 2 de fevereiro, no Rio de Janeiro, com uma série de seminários, palestras e debates na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), será concluído no Pará, onde a comitiva segue em visitas técnicas na Floresta Nacional do Tapajós, até sexta-feira, 11/2.

 

Sobre a FAS

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é uma instituição público-privada, em fins lucrativos, não-governamental e sem vínculos político-partidários, fundada no dia 20 de dezembro de 2007, por meio de uma parceria entre o Governo do Estado do Amazonas e o Banco Bradesco.

A missão da entidade é promover o envolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades residentes nas Unidades de Conservação do Amazonas, em uma área de mais de 10 milhões de hectares, por meio da valorização dos serviços e produtos ambientais.