Indígenas amazonenses treinam em seleção com sonho de representar o Brasil na Olimpíada de 2016 : FAS Amazônia
17/03/2015
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Indígenas amazonenses treinam em seleção com sonho de representar o Brasil na Olimpíada de 2016


Manaus foi confirmada, nesta segunda-feira (16), como uma das seis sedes do futebol na Olimpíada de 2016. Com a notícia, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) estimula a torcida a outros dois possíveis representantes do Amazonas no torneio: Dream Braga e Nelson Moraes, o “Inha”. Os atletas são indígenas da etnia Kambeba e, após serem selecionados pelo Projeto Arqueria Indígena do Amazonas da FAS, foram convocados para a Seleção Brasileira de Tiro com Arco. Agora, eles sonham em ser os primeiros índios em competições internacionais esportivas.
Dream, de 17 anos, e Inha, 14, seguiram para Maricá, no Rio de Janeiro, em dezembro e janeiro, respectivamente, onde passam por treinamento de alto rendimento junto a outros grandes nomes do esporte. Antes da mudança para o Rio de Janeiro, os dois tiveram grande destaque em outras competições como o 7º Campeonato Brasileiro Infantil, Cadete e Juvenil Outdoor, realizado em outubro também em Maricá. Em uma performance histórica, os jovens indígenas alcançaram ouro, prata e bronze no campeonato, e trouxeram cinco medalhas para o estado, na primeira participação do Projeto Arquearia Indígena do Amazonas em competições oficiais nacionais.
O desempenho rendeu visibilidade aos jovens, que foram convocados para a seleção. Já no Rio, os dois participaram da seletiva para o Pré-Pan, competição que contará com quatro arqueiros do Brasil, em Santo Domingo. Dream era uma das grandes apostas para o torneio, mas ficou de fora do evento por três centésimos de diferença do segundo colocado. Ainda assim, a pontuação foi considerada positiva pela Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO), que declarou, por meio de nota que “com esse resultado, Drean Braga confirma o seu favoritismo para integrar a seleção permanente, que irá representar o Brasil na Olimpíada de 2016″.
O sonho olímpico segue motivando a FAS, que idealizou o projeto por acreditar no potencial dos jovens indígenas nesta modalidade. ”Há dois anos e oito meses a FAS me colocou em uma história de irreversíveis mudanças! Realizamos e materializamos mais um sonho do professor Virgilio Viana em transformar arqueiros indígenas nativos do Amazonas em atletas nacionais, hoje capazes de suportar o impacto de uma olimpíada“, comentou a caça-talentos Márcia Lot, responsável pela seleção dos jovens e coordenação do projeto.
Para o idealizador do projeto, Virgílio Viana, a iniciativa traz mais que resultados positivos para o Amazonas, é uma maneira de contribuir para a valorização da cultura indígena do Brasil. “Foi emocionante ver o resultado daquilo que parecia uma utopia não realizável se transformar em resultados tão expressivos e em tão curto espaço de tempo. Tenho certeza que o projeto de arquearia indígena ainda será motivo de muito orgulho para o Amazonas e contribuirá para a valorização da cultura indígena brasileira rumo à Olimpíada Rio 2016”, enfatizou o superintendente-geral da FAS.
O projeto foi aprovado na Lei de Incentivo ao Esporte (Lei nº 11.438/06), e conta com o patrocínio do Grupo Bemol e Fogás. Segundo o diretor financeiro do grupo, Denis Minev, é importante apoiar os jovens indígenas. “Como amazônidas, ficamos muito orgulhosos da nossa equipe. Ela é fruto de um trabalho sério e de longo prazo e do esforço desses jovens campeões. Esse é um primeiro passo de uma longa caminhada.  Esperamos apoiar mais grandes conquistas de nossos jovens”, declarou.
Sobre o projeto
O projeto Arqueria Indígena do Amazonas tem o objetivo de contribuir para a popularização da arqueria e fortalecer a imagem e autoestima das populações indígenas da Amazônia. A ação é uma iniciativa da FAS, em parceria com a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco) e apoio da Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), e do Governo do Amazonas, por meio das Secretarias de Estado da Juventude, Desporto e Lazer do Amazonas (Sejel), e para os Povos Indígenas (Seind). A iniciativa conta com o patrocínio das Lojas Bemol e Fogás, e de forma inédita, pretende colaborar para a formação de atletas de alto rendimento e o fortalecimento da equipe brasileira de tiro ao arco para competições locais, nacionais e internacionais, incluindo a Olimpíada do Rio, em 2016.