Manejo Sustentável do Pirarucu é realizado pela primeira vez na RDS Cujubim

Com apoio do Programa Bolsa Floresta (PBF), atividade beneficia cerca de 100 ribeirinhos das duas comunidades da reserva

Por Fundação Amazônia Sustentável

27.10.2014

Para proteger a floresta, é preciso criar alternativas de geração de renda para quem vive delas. A Fundação Amazonas Sustentável (FAS), por meio do Programa Bolsa Floresta (PBF), tem apostado em atividades sustentáveis que auxiliam nesse processo, com0 o manejo do pirarucu em lagos das calhas dos Rios Jutaí, Juruá e Solimões. Este ano, foi a vez da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Cujubim ingressar na atividade, um importante passo para o desenvolvimento de uma economia aliada à conservação da floresta no Rio Jutaí. A iniciativa é financiada pelo Fundo Amazônia e conta com apoio do Banco Bradesco.
O manejo foi realizado em etapas. A primeira foi uma capacitação de 21 famílias de pescadores participantes da iniciativa, em que foram ministradas orientações para o cumprimento dos requisitos exigidos pela legislação ambiental sobre o pirarucu, e uma avaliação da etapa de proteção e vigilância. Em seguida, foi realizado o processo de contagem dos peixes, que servirá como cota para a pesca do ano de 2015. Foram 29 lagos percorridos em sete dias, nove a mais que em 2013.
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“A inclusão de novos lagos é muito importante para a conservação da fauna aquática e do potencial pesqueiro dessa região. Com a atividade manejada, os comunitários protegem os lagos para que nenhum invasor de fora retire os pirarucus contados anteriormente. Com mais lagos contados, são mais localidades conservadas, garantindo a sobrevivência dos peixes e mais renda para os comunitários”, explica o coordenador da Regional Juruá-Jutaí da FAS, Marcelo Castro.
A primeira contagem nos lagos da RDS Cujubim foi realizada em 2013, com apoio do Ibama, e registrou cerca de mil peixes. Este ano foi autorizada a pesca de 54 pirarucus, e em uma semana, foram pescados quatro toneladas do peixe manejado.
O combustível para a realização da atividade, apetrechos de pesca, como redes e arpões, foram entregues pelo componente Renda do Bolsa Floresta, com os investimentos definidos de forma participativa em oficinas realizadas pelo Programa. O PBF também apoiou com sal o processo de beneficiamento, elemento fundamental para a competitividade do pescado na reserva.
“O beneficiamento do pirarucu é o que garante a viabilidade da comercialização desse pescado na RDS do Cujubim. O pirarucu fresco tem custos maiores de logística, como frete de barcos com câmara frigorífica. Já as mantas salgadas representam menos peso para o transporte, não precisam de gelo e possuem uma grande aceitação no mercado Regional”, explica.
A expectativa é que cada família consiga uma renda maior que R$ 1000,00 em uma semana de pesca. A RDS Cujubim também tem como vocação produtiva a borracha, que somada ao apoio do componente Renda no abastecimento de cantinas comunitárias, garante subsistência sem degradação da floresta nativa.
“A reserva está bem organizada, e isso é um ganho diretamente associado com essa experiência. O manejo de pirarucu é uma atividade que exige um trabalho conjunto, e isso vem contribuindo para o fortalecimento da associação de moradores”, finaliza Marcelo.
Estiveram envolvidos na atividade de apoio ao manejo o Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), o Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Associação de Moradores da RDS Cujubim (Aerdsc) e a Prefeitura de Jutaí-AM. 

Notícia da Fundação Amazônia Sustentável