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Projeto ‘Deixa a Mana Jogar’ concilia esporte e equidade de gênero em comunidades ribeirinhas da Amazônia

Projeto ‘Deixa a Mana Jogar’ concilia esporte e equidade de gênero em comunidades ribeirinhas da Amazônia
maio 9, 2022 forner

Projeto ‘Deixa a Mana Jogar’ concilia esporte e equidade de gênero em comunidades ribeirinhas da Amazônia

Oficinas foram inspiradas na metodologia da Organização das Nações Unidades (ONU) e conduzidas por voluntários que trazem temas sobre como autoestima, liderança, prevenção à violência e saúde.

09/05/2022

O esporte pode oferecer diversos benefícios para a saúde física e mental das pessoas que o praticam. No caso do projeto “Deixa a Mana Jogar”, iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), além de colocar o corpo em movimento, a prática esportiva promoveu oficinas sobre equidade de gênero nas comunidades ribeirinhas Tumbira, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, e Três Unidos, na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, ambas no estado do Amazonas.

A solenidade de encerramento do projeto aconteceu na sede da FAS e apresentou os resultados da iniciativa que beneficiou 60 adolescentes de 12 a 18 anos. Também teve a apresentação da metodologia utilizada, depoimentos dos alunos e alunas e a participação de representantes de povos indígenas, temáticas trans, representantes dos direitos das pessoas com deficiência e mulheres pretas, além de uma exposição de artes produzidas pelos alunos do projeto.

O “Deixa a Mana Jogar” promoveu estratégias para debater equidade de gênero, além de comunicar e engajar diferentes atores sobre a temática. As atividades esportivas são baseadas na metodologia de três tempos (EPROCAD), onde os estudantes têm autonomia para definir as regras por meio de uma mediadora de forma colaborativa. As oficinas foram inspiradas na metodologia da Organização das Nações Unidades (ONU) e conduzidas por voluntários que trazem temas sobre: autoestima, liderança, prevenção à violência e saúde, construindo um espaço seguro e de conhecimento entre os adolescentes, por meio de jogos, teatro e interações com a natureza.

O projeto, que é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) e Desporto  e a Fundação Amazônia Sustentável, que foi viabilizado por duas emendas parlamentares da deputada estadual Alessandra Campêlo.

“A luta da equidade de gênero não é sozinha. É uma luta transversal, complexa, plural e múltipla. Por isso, esse projeto tem grande importância e esperamos poder levar ele para outras comunidades ribeirinhas”, comentou a coordenadora da iniciativa, Juliana Gonçalves.

No evento, a deputada Alessandra Campêlo enfatizou o fato de mulheres serem minoria em cargos de liderança e como esse projeto pode mudar essa realidade.

“Garantir igualdade de oportunidades para mulheres é uma das minhas causas. Então, tenho certeza que essa iniciativa é importante para diminuir os índices de violência contra mulheres, para que tenhamos mais políticas públicas voltadas para o assunto e para que possamos ter mais equidade de gênero”, comentou a parlamentar.

Diagnóstico

Antes das atividades, entre julho e agosto do ano passado, 45 estudantes de 13 a 17 anos foram entrevistados com perguntas divididas em quatro eixos temáticos: liderança, violência, saúde sexual e autoestima.

O resultado da pesquisa mostrou que a maioria dos adolescentes associam mulheres a atividades domésticas ou a funções relacionadas ao setor de turismo, enquanto os homens são associados a trabalhos que utilizam força, como pesca e marcenaria.

No eixo temático da violência, 35,5% dos entrevistados afirmaram conhecer alguém que tenha sofrido algum tipo de violência, e 20% relataram ter presenciado situações de violência de gênero. Sobre saúde sexual, 53,3% dos meninos e 31,6% das meninas já tiveram relações sexuais.

Sobre autoestima, a ideia do “branco” como equivalente ao padrão de beleza foi percebida nas falas das alunas e alunos. Ao serem perguntados sobre raça/etnia, 60% identificaram-se como pardos, 28,9% como indígenas, 8,9% como brancos e 2,2% como pretos, e alguns não souberam reconhecer a sua cor ou grupo étnico.

O diagnóstico serviu para embasar o planejamento do projeto-piloto do ‘Deixa a Mana Jogar’. Após a primeira edição, a expectativa é levar o projeto para outras comunidades ribeirinhas da região.

Sobre a FAS

Fundada em 2008 e com sede em Manaus/AM, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil e sem fins lucrativos que dissemina e implementa conhecimentos sobre desenvolvimento sustentável, contribuindo para a conservação da Amazônia. A instituição atua com projetos voltados para educação, empreendedorismo, turismo sustentável, inovação, saúde e outras áreas prioritárias. Por meio da valorização da floresta em pé e de sua sociobiodiversidade, a FAS desenvolve trabalhos que promovem a melhoria da qualidade de vida de comunidades ribeirinhas, indígenas e periféricas da Amazônia.

 

MAIS INFORMAÇÕES:

FAS lança projeto que incentiva meninas ribeirinhas no esporte (matéria)

Deixa a Mana Jogar – Metodologia (vídeo)

Créditos das fotos: Emile Gomes