Seringueiros querem se beneficiar dos serviços ambientais : FAS Amazônia
30/01/2009
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Seringueiros querem se beneficiar dos serviços ambientais


O Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), uma das mais respeitadas organizações do povo extrativista da floresta, defende que os países desenvolvidos contribuam de alguma maneira com os serviços ambientais pela floresta que é mantida em pé.  “Nós estamos no meio da mata conservando a natureza.  Lá passamos por todos os tipos de privação.  A saúde é ineficiente.  A educação é precária.  Falta infraestrutura.  Não temos praticamente crédito bancário.  Mesmo assim nos mantemos firmes.  Não arredamos o pé das nossas terras e ainda produzimos para manter nossos filhos.  Falta tudo, mas resistimos”, disse o presidente do CNS, Manoel Cunha, um dos maiores expoentes do movimento criado pelo mártir da floresta: Chico Mendes. A conferência de Manoel Cunha no Fórum Social Mundial aconteceu no último dia 29, quinta-feira, no Pavilhão de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) em Belém, Pará.  Nela foram apresentadas as alternativas para um mundo socioambientalmente mais justo, através do olhar dos seringueiros, mas fortemente apoiado pelo que de mais avançado existe na Ciência e no entendimento dos maiores especialistas das questões ambientais da Amazônia, como Virgilio Viana, diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), e Paulo Moutinho, diretor geral do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Participantes da conferência de Manoel Cunha (fileira da frente, segundo à direita) no Fórum Social Mundial Crédito da imagem: Mauro Cristo Participantes da conferência de Manoel Cunha (fileira da frente, segundo à direita) no Fórum Social Mundial Crédito da imagem: Mauro Cristo Questões como RED, ancorado no aproveitamento dos serviços ambientais/carbono da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, em Novo Aripuanã, foram apresentadas como referências, onde os povos da floresta se beneficiam das contribuições de empresas conscientes da responsabilidade de repassar recursos para as comunidades tradicionais, tendo como contrapartida a conservação da floresta.  “Nós temos a metodologia certa para este tipo de operação e acreditamos que esse é um dos caminhos da sustentabilidade global”, disse Virgilio Viana. Moutinho, de sua parte, destacou os efeitos nocivos provocados pelas mudanças climáticas.  “As queimadas na floresta afetam diretamente o planeta aumentando efeito estufa pela emissão de gases na atmosfera.  O desgelo das neves na Cordilheira dos Andes é outro agravante, porque afeta diretamente os rios e toda a bacia amazônica”, disse. Sintetizando as apresentações, Manoel Cunha fez um alerta crítico ao dizer: “Todos querem defender a floresta, mas, na maioria das vezes, esquecem de quem vive nela.  Enquanto a pobreza falar mais alto na selva, as pessoas vão continuar desmatando”.